Manoel Valdeci pede pra sair

Com a saúde fragilizada e a intensificação dos ataques por conta da proximidade da campanha eleitoral, o administrador de Águas Claras pede afastamento do cargo

O administrador que mais tempo ficou no cargo em Águas Claras pediu oficialmente seu afastamento do cargo na quinta-feira, 18 de janeiro. É a segunda passagem de Valdeci pela Administração de Águas Claras, ele administrou a cidade por um ano em 2006, no fim do governo Roriz.
Desgastado por um problema de saúde que o levou a cirurgia séria nos últimos seis meses, Manoel Valdeci Elias, já havia cogitado deixar o cargo, a pedido da família, no fim do ano passado, mas foi convencido a ficar por autoridades do GDF e pela deputada distrital Telma Rufino, sua madrinha política em Águas Claras. Manoel Valdeci e a outros integrantes do governo do Distrito Federal tem sido alvo de ataques de grupos que se organizam para disputar as próximas eleições. E uma denúncia, que o ex-administrador chama de “picuinhas entre candidatos”, o início das baixarias sem fundamentação neste período eleitoral”, motivou o pedido de afastamento do cargo.
Denúncia
Na quinta-feira, o administrador foi convidado a prestar depoimento na Delegacia de Repressão aos Crimes Contra a Administração Pública (Decap) da Polícia Civil, por conta de uma denúncia de falsidade ideológica. A denúncia afirma que o administrador, em setembro de 2017, determinou a confecção de documento público em favor de uma empresa, “inserindo nele falsa declaração para que referido estabelecimento se eximisse de ser autuado em possível fiscalização”.
Porém, a Administração sustenta que “a licença solicitada pelo estabelecimento comercial, para ocupação de área pública foi protocolada na Administração Regional de Águas Claras no dia 29 de agosto de 2017, com todos os documentos necessários. Entretanto, apesar da documentação necessária para a emissão da licença estar nos autos administrativos, esta Regional estava impedida de emitir a licença, devido ao processo em andamento de cadastramento dos servidores da administração ao sistema (SISLANCA) que gera o boleto. Diante da circunstância, a Administração emitiu a declaração para se resguardar formalmente com a explicação pelo impedimento da emissão da licença naquele momento. Na semana seguinte, houve o cadastramento de um servidor no referido sistema o que possibilitou gerar o boleto para assim a empresa realizar o pagamento da taxa e a licença ser emitida. O que ocorreu. Não houve nenhuma ilegalidade no trâmite realizado”.

Confusão
A licença de funcionamento era para um bar, no térreo de um edifício residencial. Os moradores incomodados com o barulho reclamavam constantemente e denunciavam à Administração. Segundo o ex-administrador Manoel Valdeci, a própria Administração de Águas Claras, diante das denúncias, solicitou a presença da Agência de Fiscalização no local, o que acabou em um episódio bastante confuso.
Na noite em que a fiscalização chegou ao estabelecimento, frequentadores e funcionários do bar enfrentaram os fiscais, impedindo a interdição do estabelecimento. Moradores acabaram se envolvendo na confusão e a polícia acabou levando várias pessoas à delegacia, quando foi apresentado o documento que dizia que o bar havia dado entrada no alvará na Administração Regional, inclusive com a ressalva de não permissão para uso da área verde e de som. A dona do bar acabou multada.

Defesa
Manoel Valdeci reitera o apoio ao governador Rodrigo Rollemberg e à deputada Telma Rufino, volta a comandar a Federação das Associações Comerciais do Distrito Federal e a Associação Comercial de Águas Claras. Em nota, o ex-administrador regional limitou-se a dizer que, “para que não haja dúvidas sobre o ato referido, que foi absolutamente regular, assim como todas as atividades realizadas durante o período administrado por Valdeci Machado, o mesmo irá solicitar ao excelentíssimo Governador sua exoneração ou licenciamento da função para isenção total da apuração”.