O Parque é Nosso: movimento popular conquistou a nova área

O jornalista João Carlos Bertolucci é coordenador do Movimento O Parque É Nosso, principal responsável pela conquista, e conta à Folha de Águas Claras as etapas para convencer o governo da necessidade da ampliação do parque

 

Águas Claras está em festa e seus moradores podem aproveitar mais 310 mil metros quadrados de área do parque ecológico que leva o nome da região administrativa. Agora o parque passa a ter cerca de 1.260.000 m2, tornando-se o maior parque ubano-ecológico do Distrito Federal.

A ampliação foi inaugurada na manhã de sábado (8 de dezembro) com passeio de ciclistas e torneio de futebol society infantil, por ocasião da entrega da quadra de futebol totalmente reformada.

“Esse parque é um dos mais bonitos da cidade. A fauna e a vegetação são muito ricas e devem ser bem cuidadas. E agora ele ganha essa área que não era utilizada pela residência”, disse Rollemberg para celebrar a entrega.

Para que esta iniciativa acontecesse foi necessária a mobilização de um grupo de moradores de Águas Claras que criaram um movimento denominado O Parque é Nosso. Em fevereiro deste ano os amigos João Carlos Bertolucci, Fernando Brandt, Alex Oliveira,  Orlando Silva, e Oswaldo Oliveira se empenharam em colher assinaturas dos frequentadores do Parque Ecológico de Águas Claras para um abaixo-assinado, visando sensibilizar o governador de Brasília sobre a necessidade de ampliação do parque Ecológico de Águas Claras, além de melhorias nos equipamentos existentes. Em apenas 10 dias o Movimento conseguiu mais de mil adesões, que foram entregues nas mãos do próprio governador Rollemberg, no mesmo mês.

Há quanto tempo você mora em Águas Claras e como surgiu a idéia de criar este Movimento?

Posso dizer que desde que nasci moro nesta região. Portanto, pelo menos uns 50 anos (rs). Meu pai tinha uma chácara de 20 mil m2 na Quadra 5 do Park Way, abaixo da DF 079, na década de 70. Depois ele adquiriu uma outra chácara, na década de 80, que por sua vez, acabou se tornando parte do Parque Ecológico de Águas Claras, quando nos anos 90, cerca de 56 chácaras foram desapropriadas para a construção da cidade. O Movimento surgiu durante conversa com amigos sobre a necessidade de melhorar a estrutura do Parque e, principalmente, defender o desmembramento do “quintal” da residência oficial do governador.

 

Você participou da inauguração do Parque Ecológico de Águas Claras  em 2002 ao lado do governador Joaquim Roriz. E agora participa diretamente dessa ampliação. O que significa isto para você?

Posso dizer que o Parque de Águas Claras, a partir de hoje, se resume em dois importantes momentos. O primeiro foi na sua inauguração em maio de 2002. Já morava em Águas Claras e comentava com o ex-administrador da cidade (na época era apenas uma sub-administração), Jader Mauricio Barbosa, sobre a importância de convencer o ex-governador, Joaquim Roriz, em criar o Parque de Águas Claras. E o segundo momento foi sensibilizar o atual governador Rodrigo Rollemberg a ampliá-lo. Ou seja, no primeiro momento ganhamos um parque com 96 hectares e agora, somam-se a ele outros 31,5 hectares. Um presente de natal que os moradores da cidade jamais esquecerão.

Quantas assinaturas vocês conseguiram no abaixo-assinado e qual foi a receptividade do governador ao receber o documento?

Nos mobilizamos cerca de 10 dias e conseguimos mais de mil assinaturas. Ficamos surpresos com a adesão dos moradores e frequentadores do parque. Durante dois finais de semana fomos a caça dessas assinaturas dentro da unidade ambiental. Se tivéssemos tido mais tempo chegaríamos a muito mais do que mil adesões. A entrega para o governador Rollemberg aconteceu em um evento de assinatura da autorização das obras para conclusão da Estação do Metrô da EPTG. Naquele momento ele se mostrou entusiasmado e disse que iria analisar o pleito. Tivemos a certeza que ele gostou da proposta.

 

Quais foram os detalhes para chegar a esta conquista tão importante?

Um mês depois da entrega do documento ao governador, Orlando Silva, um dos coordenadores do Movimento, recebeu uma ligação da Casa Civil convidando o nosso grupo para uma reunião a fim de discutir as propostas apresentadas. Fomos recebidos pelo Secretário Adjunto da Casa Civil, Dr. Apolinário Rabello e toda a sua assessoria. Ficamos surpresos com tamanha atenção. Ele propôs ao grupo fazer uma caminhada no Parque para verificar in loco as nossas demandas. No sábado seguinte, estávamos todos lá. Quando chegamos na cerca da residência oficial de Águas Claras, ele ficou parado observando, e depois de alguns minutos, disse: “Idéia sensacional!” Ficamos super felizes.

 

Para chegar até o decreto assinado pelo governador em julho, quando ele cedeu oficialmente a área para o Parque, quais foram os caminhos percorridos pelo Movimento?

Fizemos mais de 10 reuniões na Casa Civil para alinharmos o processo. Não foi nada fácil, mas os assessores do governo foram sempre solícitos e, principalmente, decididos. Além do secretário adjunto Apolinário Rabello, ao qual temos que agradecer eternamente, o Dr. Aldo Fernandes, presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram) também teve um papel fundamental nesta decisão do governo ao avalizar a nossa reivindicação. Mas acho que tudo isto aconteceu principalmente graças à interferência da primeira-dama, Márcia Rollemberg, em todo esse processo de análise. Foi ela quem colocou a Casa Militar para estudar a proposta de desmembrar parte do terreno da residência oficial. O Movimento o Parque é nosso tem muito gratidão e apreço pela senhora Rollemberg.

 

Agora, vocês vendo tudo realizado, com ciclovia, coopervia, iluminação de led. O parque com 126 hectares e acesso até a EPTG. Enfim, tudo pronto. Qual o sentimento de cada um de vocês do Movimento?

No dia da entrega oficial eu disse ao governador: Governador, o senhor não presenteou os moradores de Águas Claras ao ampliar o Parque Ecológico, o senhor presenteou a cidade com outro parque. E se você pensar bem, é verdade. São mais 31,5 hectares. Pode-se dizer que foi um novo parque integrado a outro parque. Muitos moradores e frequentadores do Parque ainda não entenderam a dimensão dessa atitude, do gesto do governador e dessa conquista. Ele deixa um legado para toda a comunidade de Águas Claras, Park Way e parte de Vicente Pires. Na verdade, para Brasília.  Outro fato a ser registrado é que, com a ampliação do parque, os moradores de Águas Claras irão ganhar um novo acesso para Águas Claras. Enfim, uma conquista para ser comemorada sempre. O Movimento o Parque é Nosso está muito feliz.

Quais os próximos passos do Movimento?

Vamos continuar na busca de conquistas que possam melhorar a qualidade de vida de todos os moradores de Águas Claras. Iremos solicitar ao próximo governo, como prioridade, juntamente com outras lideranças da cidade parta que sejam urbanizados o Parque Central e o Parque Sul. Águas Claras deve ser uma cidade cercada por grandes parques e praças. Estes ambientes de convivência são muito importantes para os moradores da cidade. Afinal, eles são o nosso quintal.