O que pensam os pais de Águas Claras sobre o retorno às aulas

Pesquisa “Percepções dos Pais sobre o Retorno às Aulas” revela a opinião dos pais de alunos sobre o retorno ás aulas, depois de meses de isolamento social

Autores da pesquisa: Neftalí Saúl Sáez Cerna, Françoise Vieira Barbosa, Francy Anne Barbosa Cesar e Maurílio Correia Cesar

A pesquisa, Percepções dos Pais sobre o Retorno às Aulas, foi um estudo descritivo com desenho transversal, realizada no período de 25 de maio à 01 de junho de 2020, na qual foram entrevistadas 290 pessoas. As perguntas foram direcionadas aos pais ou responsáveis pelos filhos em idade escolar, da educação infantil ao ensino médio, matriculados nas escolas de Águas Claras. O formulário foi elaborado e aplicado via Google Forms, e divulgado pelas mídias sociais como Instagram, Facebook e Whatsapp.

O Grupo Quantitare , responsável pela pesquisa, procura  apoiar com conhecimento técnico as empresas, as instituições governamentais e a sociedade em geral, a fim de compreender os fenômenos de interesse a partir da análise dos dados estatísticos para a tomada de decisões. “Diante do contexto de pandemia pelo COVID-19, muitas indagações acerca do retorno às aulas foram suscitadas pela sociedade, as quais impulsionaram a realização desta pesquisa. Dessa forma, esse estudo foi realizado com o objetivo de conhecer a percepção dos pais/responsáveis dos estudantes matriculados nas escolas de Águas Claras, da educação infantil até o ensino médio, sobre o retorno às aulas durante o período de pandemia pelo COVID-19”, explica Neftalí Saúl Sáez Cerna, CEO do grupo. “Nosso staff é formado por especialistas das áreas de estatística, matemática, engenharia e saúde, comprometidos com um atendimento de excelência”, completa.

 

Como a Covid-19 afetou as famílias

Conforme Mabajt. L e Leung T. (2020), o COVID-19, vírus que causa desde sintomas leves a síndrome respiratória aguda grave, surgiu em Wuhan, China, em dezembro de 2019 e, em março de 2020 a Organização Mundial de Saúde- OMS declarou estado de emergência global na saúde devido ao novo coronavírus. Este vírus tem suscitado atenção global, devido a sua rápida transmissão de pessoa a pessoa pelas vias respiratórias, contato e fômites. Baseado nas informações disponíveis até o momento, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos  define os grupos de pessoas com alto risco de doença grave por COVID-19. São eles: pessoas com 65 anos ou mais; que vivem em instituições de longa permanência; que apresenta comorbidades, principalmente se não forem bem controladas, incluindo, doença pulmonar crônica ou asma moderada a grave, problemas cardíacos graves, imunodeficiência, obesidade grave, diabetes, doença renal crônica em diálise e doença hepática. Importante destacar que crianças com condições crônicas são vulneráveis à infecção grave pelo COVID-19. Embora, os sintomas são leves na maioria das crianças saudáveis, não se pode afirmar que aquelas com doenças crônicas serão similarmente resistentes.

Nesse contexto, destaca-se que a pandemia pelo COVID-19 tem gerado impacto de grande proporção em diferentes áreas da sociedade, sobretudo na educação de crianças, adolescentes e jovens.

 

As escolas

O Distrito Federal – DF possui mais de 700 mil crianças e adolescentes, cerca de 25% da população, distribuída de forma heterogênea no território. Em Águas Claras 21,9% da população são crianças e adolescentes de 3 a 18 anos deidade, na qual a maioria está inserida na escola.

A despeito da relevância da escola para as famílias e sociedade, o DF, alinhado às estratégias utilizadas mundialmente de distanciamento social, foi o primeiro dentre as

Unidades federativas do Brasil a decretar o fechamento das escolas, o qual persiste há 3 meses, em um esforço de frear a pandemia pelo COVID-19. Diante desse quadro, as escolas foram levadas a implantar soluções de ensino a distância, a fim de minimizar os impactos sem precedentes da pandemia, com altos custos sociais e econômicos para as pessoas.

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura,) ressalta que o empenho na continuidade da aprendizagem por meio da modalidade à distância deverá ser acompanhado pela preparação da reabertura das escolas. As questões-chave sobre a reabertura das escolas giram em torno do tempo, condições e processos. O tempo dependerá do status e evolução da pandemia em cada país e será determinada em decisões políticas, baseadas nas recomendações dos experts da saúde. A imprevisibilidade da duração do período do fechamento das escolas apresenta desafios específicos e requer um planejamento flexível nos diferentes cenários. A Unesco tem monitorado a situação globalmente e nota que a maioria dos ministros da educação planeja uma reabertura parcial das escolas (exemplo China) ou decidem pela permanência da suspensão das aulas até novas recomendações.

Diante desse panorama, o DF tem anunciado seu plano de retorno às aulas que tem gerado diferentes opiniões e expectativas nos pais dos estudantes da educação infantil ao ensino médio.

A pesquisa evidenciou achados relevantes quanto às expectativas dos pais e crianças acerca do retorno às aulas; sobre o ensino à distância; e relativo ao plano de abertura das escolas do DF.

 

Expectativa

O crescimento no número dos casos e óbitos pelo COVID-19 no Brasil, especificamente, no DF, repercute tanto no grau de insegurança dos pais no retorno imediato das aulas, quanto no medo dos pais de que seus filhos sejam infectados.

O gráfico 1 representa o grau de segurança dos pais quanto ao retorno às aulas de forma imediata. Está numerado de 1 a 5, sendo o grau 1 correspondente à muito inseguro e o 5 à muito seguro. Os dados revelam que 193 entrevistados (66,6%)  sentem muita insegurança se o retorno às aulas fosse hoje.

Pergunta 1: Quão seguro você se sente se seu(s) filho(s) voltar(em) às aulas hoje?
Gráfico 1: Grau de segurança se os(as) filhos(as) voltassem às aulas hoje.
Da mesma forma, a gradação do medo, vai de 1 a 5, indo de muito medo à segurança total.
No gráfico 2, os resultados obtidos mostram que 194 entrevistados (66,9%) apresentam muito medo de que seus filhos sejam infectados pelo COVID-19
Pergunta 2: Quanto você tem medo que seu(s) filho(s) seja(m) infectado(s) por COVID-19?
Gráfico 2: Grau de medo dos pais se os(as) filhos(as) voltassem às aulas hoje.
De forma geral, quando os pais são perguntados se desejam que as aulas retornem imediatamente, a maior proporção das respostas é não, 84%, conforme o gráfico 3.
Analisando as respostas dos pais que não desejam o retorno às aulas de forma imediata, a proporção maior é dos pais de crianças de 6 a 10 anos (36,9%), em seguida os pais de crianças de 11 a 15 anos (30,9%).
Considerando os pais das crianças de 6 a 10 anos, 83,8% não desejam o retorno imediato às aulas. Por outro lado, 18,2% dos pais das crianças de 3 a 5 anos desejam o retorno imediato às aulas (gráfico 3).
Pergunta 3: Você deseja que a escola de seu filho retorne às aulas imediatamente?
Gráfico 3: Distribuição dos pais que desejam o retorno às aulas imediatamente conforme a idade de seus filhos.
O gráfico 4 mostra o período que os respondentes consideraram como apropriado para o retorno às aulas. Observa-se que a maioria das respostas corresponde aos meses de junho a setembro como o melhor período para o retorno às aulas (48,6%), em seguida, as respostas se concentraram no próximo ano – 2021 (34,4%).
Apesar da maioria dos pais relatarem muita insegurança quanto ao retorno imediato às aulas, conforme gráfico 1, as respostas mostraram também a proporção maior de pais optando pela reabertura das escolas entre os meses de junho a setembro de 2020.
Pergunta 4: Qual mês você estaria mais seguro (a) para o início das aulas?
Gráfico 4: Distribuição das datas que os pais se sentem mais seguros para o início das aulas segundo faixa etária de seus filhos.

Ensino à distância

A natureza excepcional da situação atual é refletida na taxa elevada da utilização da tecnologia no ensino a distância e virtual, com o propósito de mitigar os impactos do fechamento das escolas.

Professores e escolas têm sido criativos em adotar uma variedade de estratégias baseadas em tecnologias como alternativas às aulas tradicionais, provendo lições por meio de videoconferências e plataformas de aprendizagem online.

Embora soluções para a crise têm sido inovadoras e responsivas, deve-se considerar que algumas escolas e regiões estão melhor posicionadas do que outras para responderem à crise com maior efetividade.

Os resultados desta pesquisa mostraram que a maioria dos estudantes, de todas as faixas etárias, tem acesso às aulas online, correspondendo a 93,8%. Esse resultado coincide com a tendência mundial de disponibilizar meios alternativos para o ensino e aprendizagem

Pergunta 6: A escola de seu filho está disponibilizando aulas (acompanhamento) à
distância?
Gráfico 6 : Distribuição de oferta de EAD-educação à distância segundo a idade dos filhos.
O gráfico 9 mostra a distribuição das respostas quanto ao grau de dificuldade dos pais ao auxiliarem seus filhos nas aulas à distância. Ressalta-se que o grau 1 corresponde a nenhuma dificuldade e o grau 5 a extrema dificuldade. A maior parcela dos pais informou que o grau de dificuldade é 1 (27,1%), ou seja, nenhuma dificuldade. Enquanto o grau 5, dificuldade extrema, representou 14,8% das respostas.
Pergunta 9: Qual o grau dificuldade em auxiliar seu filho nas aulas à distância?
Gráfico 9 : Grau de dificuldades dos pais auxiliar seus filhos no ensino à distância.
Pergunta 8: Quem está auxiliando seu filho no horário da aula à distância durante a pandemia?
Gráfico 8: Distribuição das pessoas que auxiliam os filhos nas atividades de ensino à distância, segundo faixa etária dos filhos. Assim como as escolas se diferenciam em sua efetividade ao desenvolver as estratégias virtuais de educação, os pais ou responsáveis também têm demonstrado diferenças, principalmente quando se trata de auxiliar seus filhos no ensino à distância considerando as diferentes idades.
gráfico 7 mostra que o notebook/computador é o dispositivo mais utilizado nas aulas
online em todas as faixas etárias (71,4%), em seguida, o celular (17,4%).
Pergunta 7: Qual o principal dispositivo utilizado para acompanhar as aulas à distância em sua residência?
Gráfico 7 : Frequência de dispositivos utilizados no EAD.
Além dos professores, os pais têm assumido uma parcela significativa da responsabilidade de ensinar os filhos, conforme gráfico 8. Esse gráfico mostra a maior proporção de pais ou mães auxiliando seus filhos no ensino à distância (82,6%). Nota-se que a faixa etária das crianças que apresentou o maior percentual de auxílio por parte dos pais/mães é a faixa de 6 a 10 anos de idade (41,0%) seguido da faixa de 3 a 5 anos (28,9%).

Plano de reabertura das escolas no DF

Diante do panorama de crise causada pela pandemia, a Secretaria de Educação do Distrito Federal elaborou o Plano de Retorno às Aulas, entregue ao governador no mês de maio de 2020. Este documento tem a finalidade de organizar as escolas para uma possível reabertura, que exigirá mudanças da rotina escolar, como por exemplo, a implantação de novos protocolos de saúde, formulados a partir das orientações da Organização Mundial de Saúde – OMS e outras autoridades no âmbito global, nacional e local.

Em consonância, a Unesco destaca a necessidade de se preparar o quanto antes para e que as escolas estejam prontas para operarem, quando as medidas de confinamento chegarem ao fim. O plano contempla diversas ações que exigirão mudanças dos hábitos dos estudantes professores e outros funcionários, como: horários diferentes para entrada e saída dos estudantes; horários diferenciados para o lanche; aferição da temperatura dos estudantes antes de entrar na escola; desinfecção dos calçados e mochilas; distanciamento entre os estudantes dentro da sala de aula e ensino híbrido: metade do período presencial e a outra metade online.

Pergunta 10: No plano de retorno às aulas, o quanto você considera importante as medidas aqui listadas?
Gráfico 10: Grau de importância das medidas do Plano de 1 Retorno às aulas.

O Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos apresenta uma ferramenta para auxiliar as escolas na decisão de reabertura durante a pandemia pelo COVID-19. Esse instrumento, desenhado em um formato de árvore de decisão, apresenta 3 etapas. A primeira etapa da árvore de decisão descreve dentre outras ações, a avaliação da capacidade da escola em rastrear casos de síndrome gripal entre os estudantes e funcionários. Considera-se essa ação como um dos pré-requisitos para a reabertura das escolas. Ao prosseguir na árvore de decisão, o segundo grupo de ações a serem checadas para a decisão de reabrir as escolas contempla a promoção das práticas de higiene; intensificação da limpeza, desinfecção e ventilação; incentivo ao distanciamento social por meio do espaçamento entre as pessoas, pequenos grupos e mistura limitada entre os grupos; além de treinar todos os funcionários em protocolos de saúde e segurança. A última etapa diz respeito ao monitoramento contínuo, o qual inclui comunicar e monitorar os casos de infecção, exposições, atualizações de políticas e procedimentos.

Nota-se no gráfico 10 que todas as medidas do plano do DF foram avaliadas pela maioria dos respondentes com o grau 5, equivalente ao grau máximo de importância, com destaque para o monitoramento dos estudantes e funcionários que apresentem sintomas gripais (96,9%).

As medidas como: horários diferentes para entrada e saída dos estudantes e para o lanche; distanciamento social; e ensino híbrido são estratégias que possuem o mesmo princípio estabelecido pelo CDC (2020), quanto maior interação entre as pessoas, maior o risco de disseminação do COVID-19.

 

Veja a pesquisa completa:

 https://www.grupoquantitare.com/pesquisas/resultados-de-pesquisas