Localizado em uma das regiões mais verticalizadas do Distrito Federal, o Parque Ecológico de Águas Claras é hoje um dos espaços públicos mais frequentados da capital. Em meio ao crescimento acelerado do bairro e ao adensamento urbano, o parque funciona como um verdadeiro refúgio verde. Sua popularidade, no entanto, também representa desafios. A intensa utilização, aliada à falta de pertencimento de parte dos frequentadores, tem resultado em casos recorrentes de vandalismo, descarte irregular de lixo e conflitos no uso do espaço.
Uma das diretrizes estabelecidas por Rôney desde o início de sua gestão é que pelo menos 70% dos recursos de compensação ambiental de empreendimentos que causam impacto devem ser aplicados na mesma região afetada. “Quando entrei no Ibram, havia aprovações para aplicar compensações fora do DF. Não estavam fora da lei, mas decidi mudar isso. Agora, o mínimo é 70% na própria região. O impacto precisa gerar benefício onde houve o dano”, destaca. Em Águas Claras, essa política já está em prática e contempla tanto o parque quanto a reserva ecológica localizada ao fundo da unidade.
Entre os comportamentos mais prejudiciais, está o abandono de lixo em áreas de piquenique. “Vai lá numa segunda-feira de manhã… a quantidade de restos de comida é impressionante. Isso contamina os animais e toda a cadeia alimentar”, alerta. A circulação de patinetes elétricos também precisou ser revista, após registros de acidentes. “Não dá para dividir o mesmo espaço entre pedestres e veículos. É preciso respeitar o direito de todos.”
Apesar dos problemas, o Parque de Águas Claras é considerado uma referência positiva. Um projeto-piloto em andamento está testando uma torre de medição ambiental que avalia a qualidade do ar e contabiliza o fluxo de visitantes (veja matéria na página 3). “Queremos entender se vale a pena expandir para outros parques. Já adquirimos duas torres maiores, com tecnologia de ponta, como compromisso firmado pelo governador Ibaneis Rocha e pela vice-governadora Celina Leão. Mas também estamos estudando a instalação de sensores mais simples e precisos, com menor custo, para garantir monitoramento ambiental em diferentes pontos da cidade”, explica Rôney.
Nos últimos dois anos, o parque passou por uma série de melhorias. Foram realizadas a reforma da rede elétrica e a pintura do piso da quadra coberta, além da revitalização de duas quadras esportivas. Também foi instalado um parquinho com acessibilidade próximo à entrada principal e construídas mesas com bancos de concreto em áreas de convivência. Outras ações incluíram a poda e retirada de espécies exóticas, a manutenção e pintura de brinquedos infantis, a limpeza e fresagem do pavimento da ciclovia e da coopervia, a pintura de meio-fio na área próxima à Escola Classe Águas Claras (Educ), e a construção de um espaço adequado para colocação de containers. A quadra poliesportiva foi revitalizada, calçadas receberam manutenção, mesas e bancos de madeira foram restaurados, foram instalados hidrômetros padrão Caesb, e houve roçagem em parceria com a Novacap, além de plantio de mudas e manutenção dos banheiros.
Para os próximos meses, o parque deve receber novas obras financiadas por compensações ambientais, como a implementação de uma guarita e de iluminação na área da coopervia próxima à usina de energia fotovoltaica, além da aguardada reforma da quadra de grama sintética.
Essas melhorias são viabilizadas por parcerias com a Secretaria de Meio Ambiente, o Sebrae, a Universidade de Brasília, o ICMBio e a sociedade civil organizada, que participam da câmara técnica responsável por avaliar e definir a destinação dos recursos. “Com essa nova regra dos 70%, vamos garantir que Águas Claras continue recebendo a atenção que merece”, conclui Rôney.
Vandalismo
Além dos desafios estruturais e da necessidade de melhorias em diversas áreas, o Parque Ecológico de Águas Claras enfrenta um problema recorrente e preocupante: o vandalismo. Equipamentos como bebedouros, chuveiros, brinquedos infantis e até banheiros são alvos constantes de depredação, dificultando a manutenção e o bom funcionamento dos serviços oferecidos. Segundo a administração do parque, ações de vandalismo impactam diretamente a reposição de materiais de higiene e a durabilidade de estruturas, gerando um ciclo de prejuízos que exige atenção redobrada da equipe de manutenção. Diante disso, os gestores reforçam a importância da colaboração dos frequentadores na preservação do espaço, incentivando denúncias e o uso consciente dos equipamentos. Manter o parque limpo, seguro e acessível é uma tarefa coletiva, que depende tanto do poder público quanto do compromisso da comunidade em proteger esse importante patrimônio ambiental e social da região.
Equipamento fornece dados sobre qualidade do ar e número de visitantes no Parque
O Parque Ecológico Águas Claras, segundo contagem do Post Smart Ibram, recebe 42 mil pessoas por mês, o que colocaria a unidade em segundo lugar entre os parques estaduais do país
Uma coluna inteligente com mais de seis metros de comprimento foi instalada no Parque Ecológico Águas Claras. O Post Smart Ibram fornece diversas informações úteis para o aprimoramento do plano de manejo e conservação do local. Entre elas, dados sobre a qualidade do ar, informações meteorológicas e o número de visitantes únicos do parque.
O equipamento, que começou a funcionar em dezembro de modo experimental, já teve os ajustes necessários para fornecer informações precisas. O Post Smart Ibram foi doado pela empresa Confiança Administração e Serviços.
“Agora, passamos a ter dados meteorológicos, informações sobre a qualidade do ar e contagem de visitantes por biometria facial. Ou seja, cada pessoa é contada apenas uma vez. O equipamento também faz a distinção de visitantes, bicicletas e veículos. O poste possui ainda um painel luminoso que podemos usar para divulgação de informações importantes sobre o parque”, detalha a superintendente de Unidades de Conservação, Biodiversidade e Águas (Sucon), Marcela Versiani.
Entre as informações obtidas por meio do Smart Ibram estão a confirmação da qualidade do ar no parque. Também foram contabilizadas até 42 mil pessoas circulando no local todos os meses na parte central da unidade – onde o equipamento está instalado -, e registrado que o pico de uso do parque ocorre às 21h.
“O quantitativo de visitantes mensal só na área central do parque, contado pelo equipamento, revela um número que pode chegar a 504 mil pessoas por ano. Se fizermos uma comparação com os dados divulgados na semana passada, pelo Instituto Semeia, sobre número de frequentadores em parques estaduais, o parque de Águas Claras está à frente do segundo lugar, que é o Jaraguá, de São Paulo, que recebe 407 mil visitantes por ano. Ou seja, só perde para o primeiro lugar, que é o parque estadual de Cocó, no Ceará, com estimativa de 600 mil pessoas ao ano. E, nesse quantitativo da nossa Unidade de Conservação, não estamos incluindo as pessoas que a contornam, que não chegam a passar pelo centro e não são contadas”, explica.
A superintendente também destaca a importância das informações sobre pico de visitação que podem ajudar na melhora do planejamento da manutenção e funcionamento do parque. O poste também já trouxe a informação que o número de bicicletas na área central do parque é muito alto. “Isso pode balizar decisões sobre a necessidade de expansão da pista de ciclovia e a separação dela da pista de caminhada, por exemplo, para ser discutido no planejamento”, acrescenta.
Smart Ibram
A coluna inteligente modular é uma solução multifuncional que combina diversas tecnologias em um único poste de iluminação. É projetada principalmente para áreas urbanas e pode incluir módulos para iluminação LED, Wi-Fi, câmeras de segurança, carregamento de veículos elétricos, e mais. A estrutura e os componentes da coluna são feitos para serem duráveis e eficientes, adequados para ambientes externos.
O corpo principal da coluna é fabricado em alumínio devido à resistência à corrosão, leveza e durabilidade. O alumínio é ideal para uso externo, especialmente em mobiliário urbano, pois suporta bem as variações climáticas. Algumas partes da coluna podem ser reforçadas com aço, particularmente em bases ou em elementos estruturais que requerem maior resistência mecânica. As luminárias podem incluir componentes de vidro ou plásticos transparentes de alta qualidade para proteger os LEDs e permitir uma distribuição eficaz da luz. Estes materiais são escolhidos pela sua clareza, resistência a impactos e propriedades de difusão de luz.
Internamente, a coluna inclui diversos componentes eletrônicos para funcionalidades adicionais como Wi-Fi, câmeras, e sistemas de carregamento. Estes componentes são geralmente montados em circuitos impressos com encapsulamentos resistentes às condições externas. Os materiais externos são frequentemente tratados com revestimentos protetores para aumentar a resistência à corrosão, UV e desgaste por intempéries. Isto é crucial para garantir a longevidade e manutenção reduzida do equipamento.