Desde os anos 1990, quando Arniqueira ainda era um núcleo rural, Telma Rufino acompanha de perto a transformação da região em uma cidade com identidade própria. Moradora antiga, foi presidente de associação de moradores e a primeira gerente do Setor Habitacional em 2008, durante o governo de José Roberto Arruda. Com a criação da Região Administrativa de Arniqueira no governo Ibaneis Rocha, em 2019, tornou-se a primeira administradora regional. Também foi deputada distrital por dois mandatos (2015 a 2018) e é filiada ao MDB, partido pelo qual mantém forte vínculo político.
Hoje, aos 50 e poucos anos e sem um fio de cabelo branco — segundo ela, por falar tudo o que pensa —, Telma acumula desafios, críticas, obras, orações e, sobretudo, conexão com a comunidade.

Quais foram os maiores desafios desde que assumiu a administração?
Na política, os desafios são diários. Mas eu já estou acostumada. Deus me preparou para estar aqui. O maior desafio é a regularização de Arniqueira. É um sonho que está se concretizando. Já começamos com a URB 1 e URB 5, e ainda faltam cerca de sete. Estamos atuando firme para evitar novas invasões, separando as áreas de equipamentos públicos e trabalhando com responsabilidade.

Teve algo que exigiu mais esforço do que o normal?
A estrutura inicial da administração era muito precária. Faltava tudo. A criação da RA só aconteceu no governo Ibaneis, em 2019. Antes disso, outros governos tentaram e não conseguiram. Mesmo com recursos disponíveis, muitas vezes não há projetos prontos, e isso trava a execução. Há um rito a seguir, não adianta querer atropelar. Mas com dedicação, temos avançado muito.

Como lida com as críticas e a oposição?
Tem um pessoal que quer fazer oposição sem saber do que fala. Dizem que vão baixar o preço dos lotes, mas isso não é atribuição do Legislativo. Arniqueira valorizou e nosso trabalho é sério. A cidade não foi planejada, então muita coisa precisa ser feita com critério. Se eu fosse fazer tudo que pedem pelo WhatsApp, cada rua teria um quebra-mola. Tudo precisa seguir processo, passar pela ouvidoria, pelo 156. Não é na base do grito ou da filmagem.

Como está a situação das comunidades vulneráveis?
Temos quatro favelas: Bati Caverna, Curral e Ratolândia. Esses nomes já existiam quando cheguei. Não podemos simplesmente remover essas famílias. É preciso um olhar social, ambiental e urbanístico. Muitos chegaram aqui antes do Estado. Como você tira uma pessoa que vendeu tudo para ter uma casa? A solução está no tripé da sustentabilidade: meio ambiente, social e econômico.

Quais as principais entregas já realizadas?
Já entregamos muita coisa. O restaurante comunitário atende mais de 3 mil pessoas por dia. A ciclovia no Parque do Areal, com paisagismo e buganvílias, é um exemplo de obra com cuidado estético e funcional. Trocamos praticamente toda a iluminação pública por LED. Fizemos recapeamento da Avenida Veredas da Cruz, setor habitacional Arniqueira, e obras nas QSes 6, 7 e 10. Também entregamos a pista de cooper no Parque do Areal e realizamos a drenagem na Rua da Mansão Imperial e nos conjuntos 5 e 6. A QS 11 está na fase final, com mais de 20 caminhões de massa asfáltica.

E os projetos em andamento?
Estamos construindo uma escola para 1.800 alunos, com entrega prevista para março. Teremos uma sede própria da administração, além de uma UBS, que já está em processo de licitação. Três creches estão planejadas, uma delas na Vereda da Cruz. Já temos funcionando o posto avançado no Areal, onde antes era um posto policial desativado. E estamos avançando em ações menores, como corte de árvores, pequenas obras de infraestrutura e limpeza urbana, que fazem grande diferença no cotidiano.

Como é feita a comunicação com os moradores?
Aqui a administração é como uma casa de família — tem dia calmo e dia caótico. Recebemos de tudo: buracos, iluminação, árvore, até pedidos para remover cachorro falecido. O importante é que a população se sinta ouvida. E é assim que a gente resolve as coisas.

A mobilidade urbana está bem atendida?
Sim. Temos linhas de ônibus com saídas a cada 20 minutos e o Zebrinha cobre áreas onde os ônibus grandes não chegam. Fui eu quem pediu essa ampliação, e hoje o serviço é essencial para a população.

E a segurança?
A segurança é um ponto forte. Temos uma integração com a Secretaria de segurança Pública, que reúne PM, Polícia Civil, Federal e Bombeiros. Eles atuam de forma integrada. O Conseg de Arniqueira é bem atuante. E criamos o Condema, o conselho de meio ambiente, que também participa ativamente com reuniões mensais. Estamos montando uma sala exclusiva para eles na administração.

Quanto custa manter a administração funcionando?
O custo médio mensal da administração gira em torno de R$ 500 mil. Esse valor cobre tudo: folha de pagamento, aluguel, luz, telefone e o funcionamento do posto avançado no Areal. Mesmo com orçamento limitado, conseguimos fazer muita coisa com planejamento e responsabilidade.

Você pretende ser candidata nas próximas eleições?
Sou do MDB, partido do governador Ibaneis, a quem devo lealdade. Se o partido decidir que devo ser distrital, estarei pronta. Meu compromisso é com o que o MDB decidir. O futuro a Deus pertence, mas estou onde o partido quiser.

Qual sua mensagem final para os moradores?
Amo Arniqueira. Vamos cuidar da cidade como cuidamos da nossa casa. Reclamar em rede social não resolve. Participar, sugerir, ajudar — isso sim faz a diferença. A ouvidoria está aberta, a administração está aqui para ouvir e resolver. Gratidão a Deus e à população. É isso que me move todos os dias.