Por Aline Diniz
Rachaduras, desníveis, tampas de caixas de inspeção que provocam insegurança e rampas que não garantem a continuidade do caminho. Para quem anda a pé por Águas Claras, um deslocamento cotidiano pode se transformar em um percurso cheio de obstáculos. O problema afeta os pedestres de maneira geral, mas pesa ainda mais sobre idosos, pessoas com deficiência ou dificuldades motoras e famílias com carrinhos de bebê.
Os relatos de moradores, ouvidos em diferentes pontos da cidade, encontram respaldo nos registros fotográficos reunidos pela reportagem. As imagens mostram pavimentos deteriorados, fissuras, remendos e danos ao redor de tampas instaladas nas calçadas. Mesmo onde existe piso tátil, o entorno apresenta rachaduras e sinais de desgaste. As condições comprometem a acessibilidade e dificultam a circulação segura em diferentes trechos da cidade.
Na quadra 205, próximo ao Águas Claras Shopping, as condições das calçadas preocupam quem precisa circular a pé. Tampas de caixas de inspeção que aparentam estar soltas, desníveis e irregularidades no pavimento provocam insegurança, especialmente entre pessoas idosas ou com dificuldades de locomoção.
A situação também tem motivado mobilização na vizinhança. Moradores da quadra estariam organizando um abaixo-assinado para cobrar a recuperação das calçadas, diante dos obstáculos encontrados nos trajetos cotidianos. A falta de informações sobre os canais adequados para registrar reclamações também dificulta a busca por providências.

A rampa existe, mas o caminho não continua
Na região da Rua Norte, próxima à Rua Ipê Amarelo, os problemas se repetem. O calçamento irregular e a falta de continuidade das estruturas de acessibilidade dificultam a circulação de pedestres, principalmente idosos e pessoas com mobilidade reduzida.
Em uma das travessias, existe uma rampa de acesso de um lado da rua, mas não há estrutura correspondente do outro. A situação compromete o deslocamento de cadeirantes e de pessoas que encontram dificuldades para subir meios-fios, mostrando que a existência de uma rampa isolada não garante acessibilidade ao longo do percurso.
Os problemas também aparecem em praças e caminhos utilizados por moradores idosos. O receio de quedas faz com que os pedestres precisem manter atenção constante, mesmo em deslocamentos curtos. As dificuldades não se restringem a um único setor de Águas Claras e são percebidas em diferentes regiões da cidade.
Outro problema envolve as condições das calçadas em frente a condomínios. Em um dos locais visitados pela reportagem, uma grade instalada na área externa de um edifício foi retirada após exigência da fiscalização, sob a justificativa de ocupação de espaço público. Entretanto, segundo relato colhido pela reportagem, o nivelamento do passeio não foi corrigido posteriormente.
No mesmo trecho, uma sequência de tampas de caixas de inspeção, algumas com furos visíveis segundo o relato, representa mais um obstáculo para os pedestres. A retirada de estruturas que ocupam indevidamente o espaço público, embora necessária, não resolve as dificuldades de circulação quando o restante do pavimento permanece irregular.

Padronização não garante conservação
Questionada pela reportagem, a Administração Regional de Águas Claras afirmou que as obras são executadas conforme as normas de acessibilidade e as boas práticas de engenharia e, por isso, seguem um padrão. Os registros fotográficos reunidos pela reportagem, porém, mostram um cenário de conservação desigual, com superfícies remendadas, rachaduras e deterioração em diferentes pontos da cidade.
Em uma das sequências de imagens, várias tampas de caixas de inspeção aparecem distribuídas ao longo de uma calçada entre um muro e uma área de estacionamento. O pavimento ao redor apresenta fissuras, reparos e partes danificadas. Em outros trechos, rachaduras atravessam o caminho e postes reduzem o espaço disponível para a passagem.
Também há registros de danos próximos ao piso tátil. A presença desse recurso, assim como a existência de uma rampa isolada, não elimina as dificuldades quando o restante do trajeto apresenta obstáculos ou falta de continuidade. Para quem depende dessas estruturas, as condições podem comprometer a autonomia e aumentar o risco de acidentes.
As imagens reforçam a necessidade de manutenção e mostram que a padronização declarada para as obras não representa, necessariamente, as condições atuais das calçadas. Enquanto os registros revelam trechos deteriorados, moradores relatam insegurança para utilizá-los.
A Administração Regional afirma que sua equipe trabalha na recuperação dos trechos danificados e atribui os problemas ao desgaste provocado pelo tempo, às raízes de árvores que levantam o pavimento e aos danos causados por motoristas, entre outros fatores.
Segundo a resposta oficial, os contratos de recuperação somam mais de seis quilômetros de calçadas. O órgão também informou que foram construídas mais de 40 rampas de acessibilidade nos últimos quatro anos. Não foram detalhados, porém, os endereços das intervenções nem quanto da extensão contratada já foi efetivamente recuperada.
Sobre os locais que necessitam de reparos mais urgentes, a Administração declarou que os trechos que exigem intervenções de maior porte foram encaminhados aos órgãos competentes para verificar a disponibilidade de contratos. A realização dos serviços, conforme a resposta, depende do cronograma e da disponibilidade dessas pastas. Não foi informado um prazo específico para a correção dos pontos críticos identificados.
Em relação às calçadas em frente a condomínios e estabelecimentos comerciais, a Administração atribuiu aos proprietários a responsabilidade pela conservação e acessibilidade, citando a Lei nº 6.758/2020 e a norma técnica NBR 9050/2020. Acrescentou que realiza um trabalho de orientação.
Enquanto os reparos dependem de encaminhamentos administrativos e da disponibilidade de contratos, os moradores continuam desviando de obstáculos e escolhendo onde pisar. Para idosos, pessoas com deficiência e famílias com carrinhos de bebê, as condições das calçadas representam não apenas desconforto, mas também dificuldades para circular com segurança e autonomia pela cidade.






