Moradores de Águas Claras devem redobrar a atenção com a presença do barbeiro — inseto transmissor da doença de Chagas. A Diretoria de Vigilância Ambiental em Saúde do DF (Dival) orienta a população sobre como identificar, capturar com segurança e acionar os órgãos de saúde ao encontrar o inseto.
A recomendação é que, ao encontrar um barbeiro (ou um inseto semelhante), o morador tente capturá-lo usando um recipiente de vidro ou saco plástico transparente, sempre tomando cuidado para evitar o contato direto. “O ideal é utilizar luvas ou um saco plástico sem furos para manusear o inseto, e colocá-lo em um recipiente com tampa, sem água ou álcool”, explica o biólogo Israel Martins, da Dival.
Após a captura, é fundamental acionar a Vigilância Ambiental da Secretaria de Saúde pelo telefone (61) 3449-4427 ou pelo Disque-Saúde 160. Outra alternativa é entregar o inseto em um dos 84 Postos de Informações de Triatomíneos (PITs), disponíveis em unidades de saúde do DF.
Segundo a bióloga Vilma Ramos Feitosa, da Gerência de Vigilância Ambiental de Vetores e Animais Peçonhentos, a comunicação rápida é essencial. “O inseto passa por análise laboratorial para confirmar se é um barbeiro e, se estiver infectado, iniciamos imediatamente a inspeção no domicílio e adotamos medidas de controle”, afirma.
Águas Claras entre as regiões com maior incidência
Dados da Vigilância Ambiental mostram que Águas Claras está entre as regiões administrativas com maior ocorrência de barbeiros no DF, ao lado de Vicente Pires, Park Way e Planaltina. Nos últimos três anos, 317 barbeiros foram capturados no Distrito Federal — 262 só em 2023. Em 2024, foram 45 registros, e em 2025, até o momento, já são dez.
Entre os insetos capturados nos anos de 2023 e 2024, oito estavam contaminados com o protozoário Trypanosoma cruzi, causador da doença de Chagas. A maioria foi encontrada em quintais (77%), mas 23% estavam dentro das residências.
Como ocorre a contaminação
O barbeiro não nasce infectado. Ele adquire o Trypanosoma cruzi ao picar um animal ou pessoa contaminada. A transmissão para humanos ocorre principalmente pelas fezes do inseto, eliminadas enquanto ele suga o sangue da vítima. A coceira facilita a entrada do parasita pela pele lesionada. Também existem casos de contaminação por ingestão de alimentos contaminados, acidentes laboratoriais e transmissão congênita (da mãe para o bebê).
Apesar de não haver registros recentes de transmissão vetorial autóctone no DF — ou seja, ocorrida dentro da própria região —, a mortalidade por Doença de Chagas Crônica (DCC) é a segunda maior do Brasil. O dado está ligado a fatores como migração de pessoas oriundas de áreas endêmicas e a vinculação estatística da mortalidade ao local de residência.
Sintomas e formas da doença
A doença de Chagas apresenta duas fases. Na forma aguda, os sintomas incluem febre, mal-estar, fraqueza, dor de cabeça, dores musculares e, em alguns casos, inchaço em um dos olhos. Essa fase pode ser assintomática, mas ainda é passível de tratamento e cura.
Já a fase crônica é mais grave e pode causar problemas cardíacos, como insuficiência e arritmias, além de distúrbios digestivos, como megacólon e megaesôfago. Nessa etapa, o risco à vida é significativo.
Como se prevenir
Em áreas urbanas como Águas Claras, é importante tomar medidas preventivas simples, mas eficazes. Nas residências, recomenda-se instalar telas nas janelas, manter a limpeza regular dos ambientes e evitar frestas em paredes ou acúmulo de objetos que possam servir de esconderijo para o inseto.
Durante atividades em áreas de mata, como acampamentos, pescarias ou caçadas, o uso de roupas compridas e repelentes é essencial. Já na manipulação de alimentos, é importante redobrar a atenção com a higiene e o armazenamento adequado.
Se você encontrar um inseto suspeito em sua residência em Águas Claras, não o ignore. Capture com segurança, acione os canais de atendimento da Secretaria de Saúde e contribua para o controle da doença na nossa região. A prevenção é a melhor forma de proteger a saúde da sua família e da comunidade.






