por Aline Diniz

As reclamações sobre o barulho provocado por motos, especialmente aquelas que circulam com escapamentos abertos ou adulterados, voltaram a ganhar força entre moradores de Águas Claras. A sensação de aumento do incômodo e a falta de ações efetivas de fiscalização têm levado parte da população a relatar impactos na rotina, no descanso e até no trabalho.
O jornalista Dalton Almeida, morador da região, afirma que o ruído já se tornou parte do cotidiano. “A frequência do barulho aqui é quase diária. Nos horários noturnos, quando a cidade está mais silenciosa, essas motos fazem um barulho mais forte e fica mais perceptível. Durante o dia também ocorre, então é constante”, relata.
Ele explica que a geografia de Águas Claras contribui para o problema. “Temos avenidas largas — Castanheiras, Arniqueiras e as vias que margeiam a linha do metrô — que permitem que as motos atinjam maior velocidade. Com isso, o barulho se intensifica.”
O ruído tem atrapalhado até o trabalho. Dalton conta que, em algumas ocasiões, precisou interromper entrevistas por causa do som das motos. “Já tive que refazer perguntas durante gravações de áudio e vídeo. Às vezes é preciso esperar o barulho passar para continuar.”
Para ele, a solução depende principalmente de fiscalização. “Acho que o Detran deveria intensificar esse tipo de fiscalização. Sei que não é uma prioridade, mas já que fazem blitz para encontrarem motos roubadas, e para lei seca, poderiam incluir o controle do nível de ruído. Existe regulamentação para isso. Não é difícil fiscalizar.”

O jornalista Dalton Almeida acrescenta que a administração local tem pouca margem de ação. “Não sei que tipo de fiscalização a Administração de Águas Claras poderia fazer, deve estar fora da competência. Mas campanhas de conscientização seriam úteis, porque o barulho afeta famílias, crianças dormindo… Tornaria a cidade mais agradável.”

Rotina afetada
Para quem tem filhos pequenos, o incômodo se torna ainda mais intenso. A moradora Ana Lins, mãe de uma bebê de meses, relata que os últimos meses foram especialmente difíceis.
“Moro aqui há seis meses, e entre 16h e 19h o barulho realmente começa a incomodar. Sinto que piorou nos últimos dois meses; antes era mais pontual, agora é frequente e mais alto”, conta.
Segundo ela, o impacto no sono da filha tem sido recorrente. “Qualquer moto barulhenta faz ela despertar assustada. Isso desorganiza toda a rotina da casa. Ela é acordada quase sempre quando essas motos passam. Afeta o emocional, o descanso e até minha própria organização.”
Ana ainda não fez reclamações formais, mas considera necessário reforço institucional: “Acho importante ter mais fiscalização nos horários de pico e campanhas de conscientização sobre escapamentos irregulares. Se houvesse orientação e fiscalização real, já ajudaria muito. A comunidade também poderia participar mais, fazendo denúncias coletivas.”

“Infelizmente todos são taxados como motoqueiros, quando os verdadeiros que seguem as regras são motociclistas. Tanto motoboys quanto motoclubes têm quem respeita e quem não respeita.” Para Evaldo, o caminho é claro: “O aumento da fiscalização adequada ajudaria muito.”

Entre motociclistas experientes, o incômodo também é reconhecido. Evaldo Santos, que é piloto e participa de motoclube já há muitos anos, destaca que o problema existe e prejudica até quem tenta agir corretamente. “As reclamações são reais, pois os barulhos desordenados realmente incomodam muito. Falta fiscalização e alguns motoclubes não encaram as leis como deveriam.” Ele critica a generalização que acaba recaindo sobre todos. Questionada, a Administração Regional de Águas Claras limitou-se a informar apenas que o Detran-DF realiza a Operação Sossego na região.Mas,o não respondeu quais ações próprias a Administração desenvolve, se há parceria com outros órgãos, quais medidas de conscientização são feitas e se existe planejamento específico para áreas críticas.

Apesar das operações frequentes do Detran na região, o resultado não é notado pela população

Em nota, o Detran respondeu que “realiza, de forma contínua, diversas operações de fiscalização e policiamento em todas as regiões administrativas, incluindo Águas Claras. Entre essas ações, destaca-se a Operação Sossego, voltada especificamente para o combate à poluição sonora e a outras infrações, com atenção especial aos motociclistas que utilizam escapamentos irregulares. Denúncias podem ser feitas pelo telefone 154 ou pelo Participa DF. É importante indicar local e horário para o planejamento das fiscalizações.”
Enquanto o barulho das motos continua parte do cotidiano e, para muitos, um problema crescente, moradores reivindicam medidas concretas. Entre elas: fiscalização direcionada, campanhas educativas, atuação conjunta entre Administração e Detran e maior transparência sobre as ações aplicadas na região.