Por Patricia Rebelo

Há quase três décadas em Brasília, a empresária Laura Oliveira se tornou uma referência no setor de franquias e gestão de negócios. À frente de operações do McDonald’s e de empreendimentos ligados à energia renovável, ela afirma que seu maior legado não está apenas nos resultados financeiros, mas na capacidade de transformar vidas por meio da educação, da geração de oportunidades e do empreendedorismo social.
A ligação com causas sociais começou muito antes da vida empresarial. Aos 12 anos, ainda em Cuiabá (MT), Laura participou de ações voluntárias promovidas pelo Colégio Coração de Jesus, onde ajudava no atendimento de crianças em situação de vulnerabilidade. “Eu comecei no trabalho social antes mesmo de começar a empreender. A gente preparava alimentos, contava histórias e acompanhava o trabalho realizado com crianças em situação de rua. Desde então, nunca mais parei”, conta.
A experiência acompanhou toda a sua trajetória profissional. Quando se tornou franqueada do McDonald’s, já em Brasília, manteve iniciativas voltadas ao acolhimento de pessoas em situação de vulnerabilidade, oferecendo apoio básico e ações de apoio a pessoas carentes. Segundo ela, o desejo de estruturar esse trabalho resultou na criação do Levvo Instituto, organização dedicada à capacitação profissional e geração de renda para mulheres.


Capacitação para transformar
O projeto nasceu a partir de uma constatação simples: muitas mulheres precisavam de uma atividade que pudesse ser exercida dentro de casa, conciliando trabalho e responsabilidades familiares. A partir dessa percepção, Laura decidiu investir na formação de costureiras por meio de parcerias com instituições de ensino profissionalizante.
“Todo mundo precisa de uma costureira. É uma profissão que permite trabalhar em casa, gerar renda e ainda cuidar da família. Foi por isso que escolhemos esse caminho”, explica.
Entre as histórias que mais marcaram sua atuação está a de uma aluna com limitações físicas que precisou de adaptações em uma máquina de costura para concluir a capacitação. A solução foi desenvolvida pela equipe do Levvo Instituto e permitiu que ela finalizasse o curso com sucesso. “Ela acreditava que não conseguiria participar, mas encontramos uma forma de adaptar o equipamento e ela concluiu toda a formação”, lembra.

Do empreendedorismo
precoce ao McDonald’s
A vocação para os negócios surgiu ainda na adolescência. Antes dos 15 anos, Laura vendia brigadeiros e peças artesanais produzidas por ela mesma em feiras de Cuiabá. A experiência, segundo conta, foi seu primeiro contato com vendas, marketing e comportamento do consumidor.
“Eu percebi que os produtos alimentícios atraíam mais pessoas para a banca. Então comecei a vender brigadeiros para chamar atenção e, ao mesmo tempo, aumentar as vendas dos outros produtos”, recorda.
Mais tarde, trabalhou como recepcionista bilíngue, atuou no setor de turismo, foi chefe de cerimonial da Prefeitura de Cuiabá e criou uma empresa de eventos. Em 1997, após participar de um processo seletivo para novos franqueados, mudou-se para Brasília para inaugurar sua primeira unidade do McDonald’s em Taguatinga. Para viabilizar o investimento, vendeu bens pessoais e reuniu recursos com apoio da família.
Para a empresária, resultados financeiros e responsabilidade social não são objetivos incompatíveis. “Sem lucro você não faz nada. Mas é preciso ter equilíbrio entre resultado e propósito. Quando a empresa cresce, os colaboradores crescem junto e toda a comunidade se beneficia”, afirma.
Empresária com atuação em Águas Claras, Laura destaca a importância da região em sua trajetória. “Eu vi cada prédio, cada comércio e cada rua surgirem. É uma cidade vibrante, que oferece oportunidades e qualidade de vida. Águas Claras me acolheu e faz parte da minha história”, diz.
Atualmente, entre os projetos que pretende desenvolver nos próximos anos está a construção da sede própria do Levvo Instituto, em Samambaia, onde pretende ampliar as ações de capacitação profissional, música, arte e tecnologia.
“Acredito que a educação continua sendo o principal instrumento de transformação social. Meu sonho é que qualquer pessoa que passe pelo instituto encontre ali uma oportunidade de mudar sua realidade”, conclui.