Quem percorre as trilhas do Parque Ecológico de Águas Claras talvez não imagine que muitas das árvores que hoje oferecem sombra e abrigo para a fauna local começaram como pequenas sementes coletadas por moradores da própria região. Por trás desse cenário existe uma rede de voluntários que dedica tempo e esforço à preservação ambiental.
No interior do parque funciona um viveiro de mudas mantido pela comunidade. O espaço produz espécies nativas do Cerrado, realiza plantios, promove ações de compostagem e reciclagem, participa da limpeza do córrego e desenvolve atividades de educação ambiental. O grupo reúne cerca de 100 integrantes, dos quais aproximadamente 40 atuam regularmente nas atividades do dia a dia.
Entre os voluntários está Rosa Coalho, moradora de Águas Claras. Ela conta que o envolvimento com o projeto surgiu da vontade de contribuir para a arborização do parque. “Eu frequentava o parque, já era plantadora, via algumas áreas desarborizadas e sozinha não via como ajudar. Então, com a criação do grupo, conseguimos em união fazer um pouquinho pelo parque”, relata.
Embora o espaço físico do viveiro já existisse, foi a partir de 2018, com a organização dos moradores, que o trabalho ganhou estrutura e continuidade. Atualmente, o grupo utiliza uma área cedida pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e recebe apoio pontual da administração do parque. Sem recursos fixos, a manutenção depende da colaboração dos próprios voluntários.

“É mais que um trabalho, é uma terapia”, assim Rosa Coalho resume o sentimento dos voluntários que dedicam tempo e cuidado à produção de mudas e à preservação do Parque Ecológico de Águas Claras.

Mobilização comunitária
O funcionamento do viveiro é baseado em uma rede de cooperação. Enquanto alguns integrantes coletam sementes em áreas de Cerrado e outros parques, outros cuidam da preparação da terra, da produção das mudas, da manutenção das ferramentas e da coleta de materiais recicláveis, como garrafas PET utilizadas no projeto.
O trabalho exige dedicação constante. Entre os desafios enfrentados estão a seca, as formigas, o crescimento da vegetação que compete com as mudas e até atos de vandalismo. Apesar disso, os resultados já podem ser observados em áreas antes pouco arborizadas do parque.
A motivação para continuar vem dos benefícios gerados para toda a comunidade. Rosa resume esse sentimento ao afirmar que “o que me motiva é simples: é saber que estamos trazendo mais sombras, mais águas no córrego, um clima mais gostoso e ar puro para a nossa cidade”.

Educação ambiental na prática
Para Rosa, um dos principais ganhos do projeto é a conscientização ambiental. Ela acredita que a população tem avançado na compreensão sobre sustentabilidade, mas ainda há um longo caminho a percorrer, especialmente em relação à reciclagem e ao descarte correto de resíduos. “Acho que melhorou bastante, mas ainda temos muito a aprender. Estamos anos atrasados de outros países em relação ao nosso lixo, principalmente na coleta e reciclagem”, observa.
A compostagem e a reciclagem fazem parte da rotina do viveiro e ajudam a mostrar, na prática, como os diferentes elementos do meio ambiente estão conectados. “Tudo é um ciclo. A folha que cai vira composto, que vira substrato para a muda. A muda vira árvore que segura o barranco do córrego. O córrego limpo mantém a água que rega a muda. Nosso trabalho é mostrar que meio ambiente não é só árvore; é solo, água e resíduo. Um depende do outro”, explica.
Ao longo dos anos, milhares de sementes passaram pelas mãos dos voluntários. Entre as espécies cultivadas estão árvores emblemáticas do Cerrado, como cagaita, baru, araticum, caqui-do-cerrado e buriti. Algumas despertam curiosidade especial, como o jacarandá-mimoso, cujas sementes aladas são levadas pelo vento, e o araticum, que exige um processo específico para germinar.
Além da produção de mudas, o viveiro mantém uma horta medicinal utilizada pelos participantes. O espaço também recebe visitantes interessados em conhecer o projeto e disponibiliza gratuitamente mudas de espécies frutíferas e nativas para quem deseja contribuir com a arborização da cidade.
O grupo também recebe doações de sementes, adubos, ferramentas e garrafas PET. No entanto, segundo Rosa, a contribuição mais importante continua sendo a participação das pessoas. “Aceitamos principalmente doações do seu tempo, do seu carinho em ajudar a natureza.” Para quem deseja integrar a equipe de voluntários, o convite permanece aberto. “É mais que um trabalho, é uma terapia”, resume.

 

Quadra, poço artesiano e reforço na segurança

Parque de Águas Claras recebe investimentos entregues pela governadora Celina Leão

“Cuidar do meio ambiente não é só cuidar do futuro, é cuidar também do nosso presente”, afirmou Celina Leão.

O Parque Ecológico de Águas Claras recebeu uma série de investimentos do Governo do Distrito Federal (GDF) voltados à ampliação da infraestrutura esportiva e à melhoria das condições de uso da unidade. Entre as entregas estão uma quadra de grama sintética reformada e um novo sistema de abastecimento de água por meio de poço artesiano. Também foi assinada a ordem de serviço para a reforma da academia ao ar livre do parque.
As ações foram anunciadas durante a programação do Mês do Meio Ambiente e integram uma estratégia de fortalecimento das áreas verdes do Distrito Federal. Durante a cerimônia, a governadora Celina Leão destacou a importância dos investimentos em preservação ambiental e infraestrutura pública.

Infraestrutura e sustentabilidade
A reforma da quadra sintética recebeu investimento de aproximadamente R$ 570 mil. O espaço, com cerca de 20 metros por 35 metros, passa a oferecer melhores condições para a prática esportiva dos frequentadores.
Já o novo poço artesiano foi implantado com recursos de compensação ambiental, em um investimento de cerca de R$ 130 mil. A estrutura será utilizada no abastecimento dos viveiros, na irrigação das quadras de areia, no funcionamento das duchas e em outras atividades operacionais do parque.
A expectativa é reduzir significativamente os gastos com água durante os períodos de estiagem, além de garantir mais segurança hídrica para as atividades esportivas e ambientais desenvolvidas na unidade.
Outra melhoria prevista é a reforma da academia ao ar livre localizada ao lado da quadra sintética. O projeto contempla a substituição do piso, pintura das estruturas metálicas e estudos para a instalação de cobertura, ampliando o conforto dos usuários.

Mais atrativos
Frequentador do parque, o engenheiro florestal Irving Martins Silveira avalia que as melhorias ampliam as possibilidades de uso do espaço pela comunidade.
“É muito importante a entrega de obras de infraestrutura para as pessoas irem mais ao parque, conhecerem a natureza e aproveitar. Aqui conseguimos juntar uma coisa com a outra: conhecer a natureza, fazer uma prática esportiva e se integrar com a comunidade. São equipamentos que trazem outras modalidades esportivas e só agregam mais atrativos para o parque receber a população”, destacou.
Além das novas estruturas, o parque também deverá receber câmeras de segurança com tecnologia de monitoramento em 360 graus. A medida busca reforçar a proteção dos visitantes e do patrimônio público.
O presidente do Instituto Brasília Ambiental (Ibram), Gutemberg Gomes, ressaltou a importância do novo sistema hídrico para a manutenção das atividades do parque.
“Estamos fazendo entregas consolidadas aqui. A principal delas talvez seja o poço artesiano, porque estamos otimizando o recurso hídrico. Essa água será usada nas duchas, no viveiro e nas atividades do parque. A ideia é aproximar a população desses espaços e fortalecer esse sentimento de pertencimento”, afirmou.