Por Aline Diniz

Com a primavera, a paisagem da cidade se transforma em um cenário de cores vibrantes. A presença de árvores e jardins ganha destaque, não apenas por sua beleza, mas por sua relevância no cotidiano da população. Em meio ao clima seco típico do período, a floração das espécies nativas surge como um alívio natural, influenciando o ecossistema local e o comportamento dos moradores.


Em centros como Águas Claras, o verde vai além da estética. As árvores funcionam como filtros naturais, ajudando a amenizar o calor, reduzir as chamadas “ilhas de calor” e melhorar a qualidade do ar — especialmente importante na transição para os meses mais quentes e secos do ano.
A moradora Mayara Muniz reforça essa percepção ao comentar os efeitos práticos da presença do verde. “Melhora totalmente o estilo de vida, não só na saúde, mas também no clima do ambiente. Os espaços ficam mais frescos, com mais áreas sombreadas, o que motiva a fazer mais caminhadas e contemplar a paisagem”, fala Mayara.
Ela também chama atenção para um benefício menos óbvio: a barreira sonora. “Diminui os ruídos nos edifícios que estão próximos de vias muito movimentadas”, afirma.


Cores que marcam
Ao serem perguntadas sobre as espécies que mais se destacam com a chegada da primavera, as entrevistadas foram quase unânimes: Ipês e Flamboyants.
Para Maria Petronila, conhecida como Petuta, funcionária da administração de Águas Claras, o impacto das árvores é direto e reconfortante. “A arborização é fundamental para a nossa cidade. O verde das árvores nos transmite muita paz”, diz Petuta. Ela destaca ainda suas preferências visuais: “O amarelo dos ipês e o contorno verde da paisagem na Avenida Parque Águas Claras”.
Mayara também ressalta os ipês, principalmente os de flores rosa e branca. “Se destacam demais nessa época de seca e deixam o cenário mais colorido e delicado”, comenta.
A floração intensa dos ipês em Brasília, especialmente entre julho e setembro, é um fenômeno característico do Cerrado. Essas árvores perdem as folhas no auge da estiagem e florescem com intensidade, indicando a proximidade da temporada de chuvas. O contraste transforma a paisagem árida em um mosaico vibrante de cores.

Mayara Muniz, moradora de Águas Claras, recém-chegada à cidade, observa com atenção o impacto da arborização no cotidiano da população. Para ela, o verde traz bem-estar, melhora o clima e cria ambientes mais agradáveis para o lazer. Mayara também defende a expansão da vegetação para além dos parques, ampliando o acesso a espaços mais frescos e acolhedores em outros bairros.

Convite ao convívio
Essa renovação visual influencia diretamente o comportamento dos moradores, que buscam nas áreas verdes uma alternativa para lazer e descanso.
Mayara Muniz relata como a comunidade aproveita esses espaços. “Geralmente, aos fins de semana, as famílias frequentam os parques para andar de bicicleta, caminhar, correr, andar de patins com as crianças, fazer piqueniques ou até comemorações”, conta.
Segundo ela, o Parque Ecológico de Águas Claras é o local mais procurado, especialmente aos domingos.
Apesar da presença marcante de árvores em algumas regiões, as entrevistadas percebem uma concentração do paisagismo em pontos específicos. Petuta destaca o Parque de Águas Claras e as laterais das Boulevards como os trechos mais arborizados.
Ela aponta, no entanto, uma área que merece atenção. “Nas proximidades do Shopping One, em frente à Avenida Castanheiras, há um longo lote sem nenhuma arborização ou jardim”, observa.

Maria Petronila, conhecida como Petuta, é funcionária da administração regional de Águas Claras e acompanha de perto o desenvolvimento paisagístico da cidade. Admiradora das árvores floridas, como os ipês, ela destaca a importância da arborização como fonte de tranquilidade, beleza e equilíbrio ambiental nos espaços públicos.

Mayara, que chegou recentemente à cidade, concorda. “Sou nova em Brasília e, até agora, percebi mais árvores e flores concentradas nos parques… Mas acredito que poderia haver mais investimento em verde nos demais bairros, não apenas nesses espaços”, opina.
A beleza da estação nem sempre é percebida por todos. Para Mayara, a correria do dia a dia impede uma apreciação mais atenta da paisagem. “Grande parte da população, infelizmente, não repara, por causa da agitação da vida”, reflete. Ela expressa, no entanto, o desejo de que essa riqueza natural seja mais reconhecida e preservada, já que compõe a paisagem “de maneira tão graciosa”.
A cada primavera, Águas Claras reafirma sua identidade marcada pelo verde. O contraste entre a seca do Cerrado e a floração intensa das árvores é um lembrete de que a natureza resiste, transforma e inspira. E que o cuidado com esses espaços deve ser coletivo e permanente.