Por Elsânia Estácio
Águas Claras vive uma verdadeira febre gastronômica: o Morango do Amor, doce que mistura morango fresco, beijinho (brigadeiro branco) e coberto por uma fina camada de açúcar caramelizado vermelho, se tornou o novo queridinho das redes sociais e das vitrines das docerias locais. A sobremesa, que lembra a tradicional Maçã do Amor, ganhou força no último mês e tem sido responsável por uma explosão de vendas em confeitarias e entre mulheres empreendedoras da cidade.
Segundo dados do Google Trends, as buscas pelo termo “Morango do Amor” em julho cresceram significativamente, com aumento de 100% na procura e com mais de 16 mil postagens no Brasil sobre o tema nos últimos 30 dias. No TikTok e no Instagram, vídeos sobre o preparo e a degustação da iguaria somam milhares de visualizações, o que tem garantido visibilidade gratuita para microempreendedoras locais.


Alta demanda e filas nas lojas
A viralização da procura pegou muitas confeiteiras de surpresa, como a proprietária do Vert Café em Águas Claras, Ligia Braga, que viu o Morango do Amor transformar a rotina da equipe e reorganizar completamente a produção. O doce, vendido a R$ 20 a unidade, foi incluído no cardápio após a onda de vídeos nas redes sociais. Ligia, conta que precisou interromper temporariamente a produção de outros itens para dar conta da demanda do novo queridinho do público. Ela viu a demanda chegar antes mesmo do lançamento oficial do doce.
“Eu nem sabia que esse doce existia, vi a movimentação nas redes sociais e decidi fazer uma versão mais saudável, porque aqui no Vert sempre buscamos opções com menos açúcar. Foi uma aposta que deu muito certo, tanto que tivemos que parar tudo o que a gente estava fazendo de outros produtos para focar nele. Não estávamos dando conta da produção.”
Segundo Ligia, a repercussão veio acompanhada de novos clientes e muito engajamento nas redes sociais. A confeiteira destaca que o público de Águas Claras teve papel fundamental no sucesso do produto. “Eles são muito antenados, antes mesmo de colocarmos à venda, já estavam perguntando se a gente teria o doce. Isso me chamou atenção.”
Na Doce Supremo, unidade Águas Claras, a confeiteira Isabela Álvares da Silva, ainda tenta entender a força da repercussão. “O Morango do Amor nunca tinha feito parte do nosso cardápio. A gente criou porque os clientes estavam pedindo demais. Quando colocamos à venda, vendemos 200 unidades muito rápido. Aí decidi lançar 300 para cada loja. Foram 600 no total e não durou cinco minutos. Abrimos as vendas ao meio-dia, e 12h10 já estava tudo esgotado”, conta a proprietária da rede.
Isabela relata que houve fila e muita gente ficou frustrada por não conseguir comprar. Ela chegou a pensar em desistir de vender novamente, mas os relatos a fizeram mudar de ideia e a motivou a continuar.
O impacto não ficou só nas vendas físicas. Segundo ela, o Morango do Amor salvou até a Páscoa. “Para quem trabalha com confeitaria, esse é o mês mais fraco do ano. Mas com o doce, as vendas triplicaram. Ganhamos mais de dois mil seguidores, e nosso Instagram saltou de um milhão e meio para mais de cinco milhões de impressões, foi um milagre.”


Criatividade à flor da pele e do açúcar
A confeiteira Patrícia Mírian Dimas Fernandes, dona da doceria Pathy Cereja, foi além da receita tradicional. “Antes da viralização, ele não fazia parte do meu cardápio. Mas eu sempre gostei de testar novidades. Vi a tendência nas redes e resolvi fazer do meu jeito, com muito capricho. A aceitação foi imediata.”
Patrícia viu no doce a oportunidade de unir sabor, estética e inovação. Ela fez versões em formato de flor, de coração, até de cereja. “Também criei sabores de limão e maracujá, cada um com sua cor, para facilitar a identificação e encantar o cliente. Quero manter o encanto do original, mas também surpreender”.
O reconhecimento do público superou as expectativas de Patrícia. Uma das clientes chegou a relatar que o doce a fez lembrar da infância, quando a mãe preparava algo parecido e se emocionou. Ela conta que o crescimento também foi visível nas redes sociais. “O Instagram ganhou mais visibilidade e pessoas que nunca tinham ouvido falar da sua marca passaram a seguir, comentar e fazer encomendas. “O público de Águas Claras é exigente, mas quando gosta, é fiel e engajado.”

Ela destaca que o reconhecimento foi além do esperado. Segundo Patrícia, o crescimento veio também nas redes, o Instagram ganhou mais visibilidade e pessoas que nunca tinham ouvido falar da sua marca passaram a seguir, comentar e encomendar. O público de Águas Claras é exigente, mas quando gosta, é fiel e engajado.”
Para a confeiteira Ana Luiza Caldas Pandolfi, que trabalha de casa, a pressão veio do próprio público. “Eu me senti pressionada a fazer também, porque os clientes estavam pedindo muito. É uma oportunidade de reforçar a renda num mês fraco, como julho. Mas é um doce trabalhoso, que precisa ser feito e consumido no mesmo dia.”
Ela relata que, mesmo fazendo em menor quantidade, precisou de ajuda para manter a produção. “Tive que reorganizar a rotina e contar com minha funcionária. Não consegui medir se veio um novo público, mas o movimento aumentou sempre que postava sobre o doce.” Ana Luiza decidiu aproveitar o momento para incluir o bombom de morango no cardápio. “É mais fácil de fazer, mais estável. E já que o morango estava em alta, aproveitei a sazonalidade.”
Um doce que abraça pela memória
A confeiteira Iêda Bastos, com mais de duas décadas de experiência, viu no doce uma chance de renovação. “Com a viralização, vi uma oportunidade de incluir algo novo no cardápio. Mas não é simples. O Morango do Amor exige tempo e cuidado. Mesmo com minha experiência, a demanda foi intensa.”
Ela relata que teve que ampliar a rotina de trabalho para conciliar as encomendas para festas com os pedidos do Morango do Amor. “Tenho virado madrugadas, mas foi recompensador. O retorno dos clientes foi imediato, eles fazem questão de elogiar e divulgar. O doce é uma releitura moderna da Maçã do Amor, acredito que muitas confeiteiras vão mantê-lo no cardápio”.
O carinho e a dedicação são percebidos por quem consome, a cliente frequente da confeiteira, Manuela Souza destaca o diferencial da receita. “Eu adoro morangos e doces com a fruta, já experimentei o bolo com recheio de morango e o bombom da Iêda, que são maravilhosos. O Morango do Amor, em específico, eu gostei muito. A casquinha caramelizada é bem crocante e fininha, dá um toque especial ao doce.”
Já para a assessora jurídica Paula de Oliveira Lima, também cliente da confeiteira, descreve que o doce marcou um momento delicado de sua vida familiar. “Teve uma vez em que a Iêda trouxe o doce aqui em casa porque minha mãe, recém-diagnosticada com Alzheimer, queria o morango que remete à infância dela. Foi um gesto tão bonito”.
Paula também destaca como o produto conecta passado e presente, gera memória afetiva e cria pontes com a filha, que é autista. “E o produto da Iêda é isso: caseiro, tradicional, maravilhoso. Minha filha tem preferências alimentares bem específicas, mas ama morango. Essa trend foi bacana porque proporcionou momentos, lembranças e fez minha filha comer uma fruta que ama, de forma diferente.”

Encomendas em alta
Produtor e fornecedor de morangos para diversas confeiteiras de Águas Claras, José Jailson Filgueira Ponciano acompanhou de perto o impacto do Morango do Amor não só nas docerias, mas também no campo. O crescimento da demanda também teve reflexo nos preços, conta o produtor. “O preço subiu um pouco, sim, e tivemos dificuldade para manter o abastecimento em alguns momentos. Ninguém esperava por essa procura tão significativa em tão pouco tempo.”
Segundo José, o que mais o surpreendeu nessa onda de consumo, ele destaca o cuidado com que o Morango do Amor vem sendo produzido. “O que mais me chamou atenção foi a capacidade das confeiteiras de transformar o morango em algo bonito, gostoso e feito com tanto cuidado. É bom ver a fruta da gente indo parar em algo tão bem-feito.”






