por Aline Diniz

Nos prédios cada vez mais altos de Águas Claras, o espaço privado parece encolher e, curiosamente, o estilo de vida, se expandindo. Cozinhas americanas, quartos compactos e ausência de área de serviço dão lugar a condomínios com academias completas, coworkings, brinquedotecas, cinemas e até minimercados no térreo.
Especialistas explicam por que esse modelo está moldando o novo jeito de morar na cidade. A engenheira civil Bruna Logo observa que essa mudança reflete um novo perfil familiar e social. Para Bruna, o peso das áreas comuns na decisão de compra é cada vez maior, ainda que nem sempre determinante. “O mercado imobiliário tem disponibilizado preços cada vez maiores, e pagar aluguel e ainda gastar com lazer acaba pesando no orçamento.
A moradia que já inclui áreas de convivência se torna um diferencial, porque agrega saúde e qualidade de vida em um pacote só”, explica.
A engenheira acrescenta que os novos moradores estão mais dispostos a adotar um estilo de vida prático e minimalista. “As pessoas têm optado por um ambiente menor e menos poluído visualmente, mais fácil de manter limpo e organizado.
Muitos psicólogos indicam o lazer como gerador de saúde, e quando o condomínio oferece piscina, academia ou churrasqueira, isso faz toda diferença para o bolso e para a qualidade de vida”, ressalta.

Bruna destaca que o estilo urbano e o ritmo de trabalho têm forte influência nessa escolha. “As pessoas têm optado pelo minimalismo, pela praticidade, pela economia e pela qualidade de vida. O núcleo familiar diminuiu, e muita gente não quer mais ter filhos. Esse modelo de moradia entrega exatamente o que esse novo perfil busca”, avalia.
Quem também percebe o avanço desse tipo de projeto é o professor universitário Alberto de Faria, coordenador do curso de Arquitetura e Urbanismo do Ceub. Para ele, o fenômeno é global. O arquiteto explica que o público mais interessado nesse tipo de moradia costuma ser jovem e de alta mobilidade. “São moradores com menor apego à estabilidade, tanto em cidades quanto em relações de trabalho. O apartamento compacto se encaixa melhor nesse estilo de vida”, diz.
Para Alberto, as áreas comuns compensam a redução do espaço interno e reforçam o sentido de comunidade. “Elas oferecem oportunidades de socialização e convivência que equilibram a metragem reduzida.
Quando bem planejadas e equipadas, tornam-se atrativos importantes na escolha do imóvel, especialmente quando somadas a boa localização e oferta de transporte público”, pontua.

Ele também vê o avanço tecnológico e o home office como fatores de impacto direto nessa mudança. “A vida urbana hoje é fortemente influenciada pela tecnologia, que permite trabalhar de casa e reduz o tempo gasto em deslocamentos. “Isso aumenta a demanda por espaços públicos de qualidade parques, praças e áreas verdes, que complementam a experiência de morar em apartamentos menores”, explica.
De acordo com o professor, o mercado imobiliário tem se adaptado com rapidez. “Os projetos com unidades menores e áreas comuns diversificadas consideram circulações verticais mais rápidas e seguras e o cumprimento rigoroso das normas de incêndio. As áreas de lazer, em muitos casos, são situadas próximas ao térreo, o que garante privacidade e segurança às unidades residenciais”.
Na visão do professor, essa tendência realmente veio para ficar. “Trata-se de uma realidade duradoura. Mais de 80% da população vive em áreas urbanas, e o perfil familiar está em constante transformação.
Mercado
Vemos uma integração maior de usos residencial, comercial e até hoteleiro e uma aceitação crescente do compartilhamento de espaços para atividades como coworkings e colivings”, afirma. No dia a dia de quem lida diretamente com compradores e locatários, a percepção é semelhante. A corretora e moradora de Águas Claras Caroliny Cascão confirma que o lazer compartilhado virou um critério decisivo na escolha do imóvel. “As áreas comuns e de lazer têm se tornado um fator cada vez mais determinante.
Em um mercado com grande oferta, elas são um diferencial competitivo: podem ser o ponto decisivo entre dois imóveis de valor semelhante”, observa.
Para Caroliny, economia e praticidade são palavras-chave. O ritmo de vida urbano, segundo ela, também pesa na decisão. “O público jovem e as rotinas aceleradas influenciam muito essa preferência. Espaços menores demandam menos tempo e custo com limpeza, mobiliário e manutenção o que é muito valorizado por quem passa o dia fora”, afirma.
E o mercado tem respondido. “As construtoras estão cada vez mais voltadas a plantas compactas e áreas comuns completas. Águas Claras tem sido destaque em lançamentos residenciais, justamente por oferecer esse modelo de moradia mais prática e integrada”.
A junção entre praticidade e convivência parece ter encontrado terreno fértil em Águas Claras. A verticalização intensa da região, a concentração de comércios e a rotina acelerada dos moradores criaram um cenário ideal para que os apartamentos menores antes vistos como solução temporária se consolidassem como uma escolha definitiva.






