Por Aline Diniz

O conceito de coworking, ambientes de trabalho compartilhado que reúnem profissionais de diferentes áreas em um espaço comum, deixou de ser tendência para se tornar parte estruturante da forma como hoje muitos profissionais e empresas organizam sua rotina laboral. Originado no início dos anos 2000, o modelo ganhou impulso com a expansão do trabalho remoto e híbrido após 2020 e se consolidou por todo Brasil com crescimento robusto nos últimos anos.
No Distrito Federal, embora a maior parte dos coworkings esteja concentrada no Plano Piloto, Águas Claras vem ganhando espaço nesse cenário. A cidade já reúne diversas opções de espaços compartilhados que atendem desde freelancers até equipes de empresas de pequeno e médio porte, refletindo a expansão da demanda por ambientes de trabalho flexíveis também fora dos centros empresariais tradicionais. Segundo plataformas especializadas em listagem de espaços, há atualmente mais de dez coworkings diretamente listados em Águas Claras e muitos outros operando na cidade com diferentes perfis de serviços e horários.
Na região, profissionais e empresas encontram uma diversidade de ambientes projetados para trabalho colaborativo e individual, com serviços que vão de estações compartilhadas a salas privativas e consultórios compartilhados.

Cíntia sublinha que o contrato e a forma de prestação de serviço é o que define o regime jurídi-co, não o local físico de trabalho. A advogada também aponta que, apesar de o modelo atual da legislação trabalhista ser suficiente para absorver a realidade dos coworkings.“ É desejável uma regulamentação mais específica, para acompanhar as transformações na organização do trabalho”

Percepção dos usuários
Na prática, a adoção de coworking em Águas Claras reflete o desejo local por flexibilidade e profissionalismo. Profissionais que migraram do home office para esses espaços destacam a qualidade da infraestrutura e a possibilidade de foco sem as distrações do ambiente doméstico, bem como a oportunidade de interagir com outros trabalhadores, algo que serviços tradicionais como cafés ou trabalho em casa não conseguem oferecer com a mesma eficiência.
A advogada trabalhista Cíntia Fernandes explica que, do ponto de vista jurídico, o coworking não altera a natureza da relação de trabalho. Segundo ela, o espaço compartilhado é apenas o local onde o trabalho é realizado; o vínculo empregatício, quando existe, é definido pelos elementos jurídicos clássicos, como subordinação, habitualidade, pessoalidade e remuneração, independentemente de o serviço ocorrer em um coworking ou na sede da empresa. Segundo a doutora Cíntia, “o simples fato de a atividade ser exercida em um espaço de coworking não altera, por si só, a modalidade contratual da relação de trabalho”; o que importa é como o serviço é prestado.

Yasmin destaca que o coworking contribui para relações de trabalho mais flexíveis, ajudando muitos profissionais a estabelecer limites mais saudáveis entre vida pessoal e profissional. A diversidade de perfis de usuários é ampla: desde autônomos, freelancers, pequenas e médias empresas e até grandes corporações que buscam praticidade e networking. Para ela, além da estrutura física, o que mais atrai é a troca de experiências e conexões reais que se formam naturalmente no dia a dia, parcerias e até novas empresas já nasceram dentro desse ecossistema colaborativo.

A especialista em direito do trabalho, ressalta que empresas devem formalizar claramente o regime de trabalho (presencial, remota ou híbrido) e observar normas de controle de jornada, saúde e segurança no trabalho para evitar riscos trabalhistas.
Segundo a advogada, o trabalho em coworking pode ser enquadrado tanto como presencial quanto como teletrabalho, dependendo da organização das atividades e do controle do empregador: presença habitual e jornada definida caracterizam trabalho presencial, enquanto maior autonomia e uso de tecnologia sem controle direto podem enquadrar a atividade como teletrabalho. Em todos os casos, a responsabilidade por saúde, segurança e condições adequadas de trabalho permanece com o empregador, que deve orientar seus funcionários quanto a ergonomia, pausas e prevenção de riscos.
Para Yasmin Figueiredo, diretora de um coworking em Águas Claras, o impacto desse modelo vai além do espaço físico. Ela observa que profissionais e empresas ganham em produtividade ao se liberar das preocupações operacionais do dia a dia, como infraestrutura e gestão, podendo se concentrar no crescimento de seus negócios. “Observamos uma melhora significativa na organização, no foco e na eficiência dos clientes, além do crescimento de muitos negócios que começaram pequenos e evoluíram dentro do próprio coworking”, afirma.
Do ponto de vista da gestão, Yasmin reforça a importância de contratos claros e responsabilidades bem definidas, o que tem permitido ao seu espaço atender a diversos perfis sem enfrentar problemas trabalhistas significativos. Para os usuários, os principais ganhos estão na organização do trabalho, sensação de pertencimento e ambiente profissional, com o principal desafio sendo a adaptação à convivência compartilhada desafio que, segundo ela, se traduz também em fortalecimento de comunidade e apoio mútuo.