Por Aline Diniz
Com o início das férias escolares, as famílias de Águas Claras precisam reorganizar a rotina para conciliar o descanso das crianças com o trabalho e os demais compromissos dos adultos. Enquanto os estudantes esperam aproveitar o período para brincar, passear e passar mais tempo com a família, muitos pais buscam alternativas para manter os filhos acompanhados, reduzir o excesso de telas e oferecer atividades adequadas a cada faixa etária.

O descanso é considerado indispensável após um semestre de compromissos escolares, mas educadores avaliam que as férias não precisam representar uma interrupção completa das experiências de aprendizagem. A orientação é encontrar um equilíbrio entre lazer, convivência familiar e estímulos leves, capazes de preservar a curiosidade das crianças sem transformar o recesso em uma extensão da sala de aula.
Diretora de uma escola particular de Águas Claras e educadora com mais de dez anos de experiência, Graziela Barbosa defende que o período seja compreendido como uma mudança de ritmo. Segundo ela, um dos desafios da educação ainda é superar a percepção de que estudar está necessariamente associado a sacrifício ou obrigação. “O período de férias é fundamental para o descanso mental e físico dos alunos. No entanto, enxergamos as férias não como uma interrupção, mas como uma mudança de ritmo. O descanso é necessário, mas ganha ainda mais valor quando integrado a estímulos leves e contínuos, garantindo que o aluno retorne às aulas sem ter perdido o ritmo de aprendizagem que construiu ao longo do semestre”, afirma.
Na avaliação da diretora, as famílias não precisam estabelecer longas jornadas de estudo durante o recesso. Atividades simples, incorporadas naturalmente ao cotidiano, podem contribuir para manter o interesse pelo conhecimento. A leitura de um capítulo de livro, uma visita à biblioteca, um passeio ao museu ou uma conversa sobre algum tema de interesse da criança são algumas das possibilidades. Em situações específicas, o acompanhamento pedagógico também pode ser mantido, desde que ocorra de maneira leve e sem comprometer o descanso.
Graziela ressalta que algum nível de rotina oferece segurança às crianças e pode facilitar a retomada das atividades escolares. “Quando há uma interrupção brusca por cerca de 30 dias, o retorno costuma ser mais difícil. O estudo precisa ser entendido como um hábito da vida, e não como um castigo”, explica. Para ela, manter horários razoavelmente organizados para dormir, acordar, brincar e realizar pequenas responsabilidades ajuda a evitar uma mudança excessiva de hábitos durante as férias.
A educadora também chama a atenção para uma realidade frequente: o recesso dos estudantes nem sempre coincide com as férias dos responsáveis. Nesses casos, a recomendação é estabelecer uma programação simples e compatível com a rotina da família. Mesmo quando não podem acompanhar todas as atividades, os pais podem demonstrar interesse pelo que os filhos fizeram ao longo do dia e reservar momentos de convivência. “O aprendizado deve ser independente do calendário escolar, porque faz parte da vida. As famílias podem aproveitar as férias para desacelerar, mas manter alguma constância. Ler uma história antes de dormir, conversar sobre uma descoberta ou compartilhar uma experiência mostra que aprender pode ser um processo prazeroso e também fortalecer os laços familiares”, observa.
Passeios culturais e atividades realizadas em conjunto também podem ampliar o repertório infantil. Museus, bibliotecas, parques, exposições e espaços de convivência oferecem oportunidades para que as crianças façam perguntas, conheçam novos temas e desenvolvam interesses fora do conteúdo escolar. Para Graziela, essas experiências têm valor pedagógico justamente por ocorrerem de maneira espontânea e estarem associadas à convivência e ao lazer.

Telas e diversão
Outro ponto de atenção durante as férias é o aumento do tempo diante de celulares, tablets, computadores e videogames. A diretora avalia que a tecnologia não precisa ser eliminada da rotina, mas deve ocupar um espaço equilibrado entre outras formas de entretenimento. Quando a criança também participa de brincadeiras, leituras, passeios e pequenas tarefas, os aparelhos eletrônicos deixam de ser a principal alternativa para preencher o tempo livre.
A pedagoga Learice Alencar, mestre em Educação e pesquisadora nas áreas de bem-estar e felicidade, também considera o recesso uma oportunidade para que crianças e adolescentes explorem interesses que nem sempre encontram espaço na rotina escolar. “As férias permitem investir nos próprios interesses, experimentar novos hobbies, desenvolver talentos e descobrir habilidades. Quando a aprendizagem nasce da curiosidade e do prazer, torna-se mais significativa e duradoura”, afirma.
Segundo Learice, a maioria das crianças não precisa manter uma rotina formal de estudos durante o período. O descanso, as brincadeiras, a leitura espontânea, as atividades culturais e a convivência familiar costumam ser suficientes para que os estudantes retornem às aulas mais motivados e emocionalmente preparados. A necessidade de revisão ou acompanhamento específico deve ser avaliada de acordo com a realidade de cada aluno, evitando cobranças desnecessárias.
Na prática, esse equilíbrio é buscado pela empresária Kelly, mãe de estudantes de uma escola particular de Águas Claras. Durante o recesso, a família procura sair da rotina por meio de viagens, passeios e momentos de convivência. Quando permanece na cidade, estabelece limites para o uso de telas, incentiva a leitura, organiza brincadeiras ao ar livre e recebe amigos dos filhos em casa.
Kelly avalia que Águas Claras ainda poderia contar com mais opções de lazer voltadas ao público infantil, embora as praças, os parques e os shoppings sejam alternativas utilizadas pela família. Para ela, planejamento e flexibilidade ajudam os pais a atravessar o período com mais tranquilidade e permitem que as crianças aproveitem as férias sem uma agenda excessivamente rígida.
Graziela Barbosa destaca ainda que o desenvolvimento dos estudantes depende de uma relação próxima entre responsáveis e educadores. “Quando a escola e a família caminham de mãos dadas, não apenas ensinamos, mas contribuímos para transformar vidas e preparar esses alunos para o mundo”, afirma. Para a diretora, essa parceria permite que a aprendizagem ultrapasse os limites da escola e favoreça a formação de crianças mais curiosas, autônomas e preparadas para continuar aprendendo ao longo da vida.






