Por Letícia Lima
Um morador de Águas Claras foi atacado por um rato no mês de março, enquanto caminhava com o cachorro. O caso aconteceu próximo à Rua Babaçú. Segundo relato, o animal se assustou com a aproximação e arranhou o homem ao tentar fugir. Após o ocorrido, ele buscou atendimento médico por precaução.
O episódio reacende a preocupação com o aparecimento de ratos na região administrativa, e moradores relatam que esse quadro tem se tornado cada vez mais comum.
Moradora de Águas Claras desde 2006, Ana (nome fictício) afirma que o aparecimento desses animais acompanha o avanço urbano e não se trata de um problema recente. “Com o crescimento da população, acaba tendo mais consumo e mais lixo. Se não tiver cuidado com o descarte, isso favorece o aumento dessas espécies.”
Ela afirma já ter vivenciado situações de risco envolvendo esses animais, principalmente em áreas com grande acúmulo de lixo. “Quando o SLU levantou a caçamba, uma das ratazanas que estava embaixo veio na minha direção. Foi um susto enorme.”
Em outra ocasião, durante a noite, ao buscar o carro estacionado na rua, se deparou com vários ratos. “Teve uma vez que fui pegar o carro e saiu uma trilha de ratos perto de mim. Foi desesperador.”
A entrevistada afirma que o caso já foi levado à Vigilância Sanitária, que confirmou a gravidade do cenário na época. Ainda assim, essa realidade permanece nas ruas. Para a moradora, o enfrentamento depende tanto da atuação do poder público quanto da colaboração da população, especialmente em relação ao descarte correto de resíduos e à frequência da coleta de lixo.

Para conter o problema, condomínios da região têm adotado medidas próprias para reduzir a infestação. A síndica Neusa Behrmann, que atua há dois anos na gestão de um prédio, afirma que o controle precisa ser constante e preventivo.
Ela afirma que os ratos costumam entrar nas moradias vindos da rua, principalmente durante a noite, aproveitando a menor circulação de pessoas.
A gestora também chama atenção para fatores externos, como terrenos baldios e áreas com pouca manutenção, que acabam servindo de abrigo para os animais e dificultam o controle.
A médica veterinária Júlia Bastos Pinto explica que esses animais possuem alimentação bastante variada e se adaptam com facilidade ao ambiente urbano, principalmente quando encontram alimento disponível e locais seguros para se esconder e se reproduzir.
Outro agravante é a alta capacidade reprodutiva dos ratos. As fêmeas podem ter até 14 filhotes, com um período de gestação de cerca de 21 dias, o que acelera o crescimento da população em pouco tempo.

Ela explica que, em alguns casos, pode ocorrer a chamada “mordida exploratória”, quando o animal tenta reconhecer estímulos pelo contato, o que não caracteriza um ataque intencional. Ainda assim, o recomendado é sempre evitar qualquer tipo de aproximação.
Risco sanitário
O médico infectologista Gilberto dos Santos Nogueira alerta que a presença de ratos em áreas urbanas representa um risco à saúde pública, especialmente em locais com acúmulo de lixo e saneamento inadequado.
“O principal risco é a contaminação indireta, principalmente pela urina desses animais, que pode contaminar água, alimentos e superfícies, muitas vezes sem que a pessoa perceba.”
Entre as principais doenças associadas está a leptospirose, considerada a mais comum no ambiente urbano, sobretudo em períodos de chuva, quando há maior contato com água parada ou contaminada. O médico explica que pequenos ferimentos na pele já são suficientes para a entrada da bactéria no organismo.

Ele também cita a hantavirose como uma doença associada a roedores, mas destaca que é menos frequente em áreas urbanas, sendo mais comum em ambientes rurais.
O especialista explica que, em casos de mordidas ou arranhões, pode haver infecção no local e, mais raramente, outras complicações, o que exige avaliação médica. Nesses casos, a orientação é lavar bem o local com água e sabão e procurar atendimento médico, com verificação da vacinação antitetânica e, se necessário, uso de antibióticos.
Além disso, chama atenção para sintomas que podem surgir após a exposição, como febre, dor no corpo, dor de cabeça, náuseas e vômitos. Em casos mais graves, a leptospirose pode evoluir com alterações renais, hepáticas e até hemorragias.






