Entre tecidos, cafés especiais, chocolates premium e gestão de pessoas, Salomão Ferretti construiu uma trajetória empresarial que passa por diferentes segmentos, mas mantém uma característica em comum: o cuidado com a experiência humana.
Hoje à frente da marca de moda Ferretti Wear, da operação da Kopenhagen no Águas Claras Shopping e da Sama RH, o empresário brasiliense reúne negócios distintos que, segundo ele, têm a mesma essência: acolhimento, identidade e relacionamento. Mas antes da moda autoral, das franquias e das estratégias empresariais, havia um jovem que cresceu observando a mãe empreender para sustentar a família. “Eu sempre quis empreender para ajudar minha mãe”, resume.
Filho de uma família de empreendedores, Salomão começou a trabalhar cedo. Ainda adolescente, conciliava estudos e experiências profissionais em diferentes áreas. Trabalhou na Livraria Cultura, atuou em projetos sociais em Moçambique, foi oficial do Exército e passou pela Organização das Nações Unidas (ONU), acumulando experiências que mais tarde ajudariam a moldar sua visão de negócios.
A formação em Administração surgiu justamente como uma ferramenta para apoiar a empresa da família. Depois de concluir a graduação e deixar a ONU, assumiu um papel mais ativo na Sama Promoções e Eventos, negócio criado pela mãe.
Enquanto ela permanecia focada na parte administrativa e financeira, Salomão passou a atuar diretamente na área comercial, no planejamento estratégico e na organização de processos internos. “Eu sentei com cada colaborador para entender como a empresa funcionava no dia a dia”, relembra.

Gestão, expansão
e novos negócios
A entrada de Salomão na empresa marcou uma fase de expansão. A partir da Sama Promoções e Eventos, surgiram novos braços empresariais, incluindo a Sama Consultoria de RH, voltada para terceirização de mão de obra e recrutamento de equipes.
Com atuação em Brasília e em regiões do Centro-Norte do país, a empresa passou a atender grandes demandas corporativas, especialmente em setores ligados ao varejo e serviços. Durante esse processo, a família adquiriu também uma fábrica de uniformes, inicialmente voltada para produção corporativa. Foi justamente dentro dessa estrutura que nasceu a ideia da Ferretti Wear.
Na época, Salomão produzia conteúdos sobre empregabilidade em um canal digital chamado “Me Contrata”, no qual compartilhava dicas gratuitas sobre currículo, entrevistas e mercado de trabalho.
A audiência começou a gerar pedidos por peças básicas e camisetas produzidas com tecidos sustentáveis. Aos poucos, ele percebeu que existia espaço para criar algo além da produção tradicional de uniformes.
“Eu queria desenvolver roupas confortáveis, elegantes, atemporais e sem ligação direta com tendências passageiras”, explica.
A proposta da Ferretti Wear nasceu baseada em conceitos de moda autoral, consumo consciente e modelagens agênero. As peças passaram a atender diferentes perfis físicos, sem foco em padrões tradicionais da indústria fashion.
O empresário afirma que a ideia sempre foi criar roupas duráveis, versáteis e conectadas à identidade das pessoas. “Não é uma roupa para usar uma vez. É uma peça para acompanhar a vida da pessoa em diferentes ocasiões”, afirma.
A marca começou em feiras locais de Brasília, incluindo a tradicional Feira dos Goianos, considerada um dos primeiros centros comerciais organizados do Distrito Federal. Depois, passou pelo Conjunto Nacional e chegou à Asa Norte, onde hoje mantém loja física na 102 Norte. Mesmo com a consolidação da loja física, boa parte do atendimento continua sendo personalizada e realizada pelas redes sociais. Salomão acompanha clientes de diferentes estados brasileiros e até de outros países, oferecendo consultoria individual para escolha das peças.
A experiência como essência
Em 2025, Salomão ampliou ainda mais sua atuação empresarial ao assumir, ao lado do marido Daniel França, uma unidade da Kopenhagen no Águas Claras Shopping. A entrada no segmento de gastronomia premium surpreendeu parte do público que acompanhava sua trajetória ligada à moda e ao RH. Para ele, porém, os negócios seguem conectados pela mesma lógica. “Eu continuo trabalhando com experiência e acolhimento”, afirma.
Segundo o empresário, o conhecimento acumulado em gestão de pessoas, treinamento de equipes, marketing e relacionamento foi determinante para enxergar potencial no segmento. Cliente da marca há muitos anos, Salomão conta que a relação afetiva com a Kopenhagen também influenciou a decisão. O primeiro encontro dele com seu parceiro aconteceu em uma unidade da franquia.
Além da identificação emocional, ele destaca o potencial estratégico da marca e a possibilidade de crescimento dentro de um mercado consolidado.Na operação do dia a dia, Salomão atua diretamente no treinamento de equipes, comunicação, marketing e relacionamento com clientes. Daniel França, seu parceiro e sócio, fica responsável pela área administrativa e financeira. Mesmo administrando diferentes negócios simultaneamente, ele afirma que a chave está na construção de equipes capacitadas e alinhadas com a cultura de cada empresa. Além da atuação empresarial, Salomão mantém forte presença digital e utiliza as redes sociais para divulgar parceiros, pequenos empreendedores e iniciativas locais.
Para ele, negócios precisam criar conexões verdadeiras. “Roupa é afeto. Café também é afeto. Quando você entende isso, percebe que o que as pessoas procuram vai muito além do produto”, afirma. Ao falar sobre empreendedorismo, Salomão evita fórmulas prontas. “Feito é melhor que perfeito. As pessoas precisam começar e ir construindo o caminho enquanto aprendem”, conclui.