Por Aline Diniz

Desde 2014, em setembro, acontece no Brasil e em todo o mundo a campanha de prevenção ao suicídio e a doenças psicoemocionais – chamada de Setembro Amarelo. Essa nomenclatura, entre vários motivos, deve-se ao fato de a cor amarela remeter, de forma geral, à luz, ao sol e a símbolos que apontam para “um clarear da mente e das emoções”. No Brasil, as primeiras iniciativas no sentido de educar e esclarecer as pessoas a respeito desse tema foram fomentadas pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), em parceria com o Conselho Federal de Medicina, que descrevem inúmeros fatores para o desencadeamento de sintomas que propiciam as doenças relacionadas ao suicídio, salientando, porém, como um desses fatores o “estilo de vida moderno”.
O que imediatamente nos remete aos grandes centros urbanos, cidades e até bairros como Águas Claras são locais onde a densidade demográfica, a verticalização, a correria, o alto nível de estresse diário para dar conta de tudo — ou seja, diversos aspectos desse estilo de vida — demandam muita energia e desenvoltura das pessoas. Nesse sentido, a psicóloga especialista em tratamentos via abordagem EMDR (Dessensibilização e Reprocessamento por meio de Movimentos Oculares, técnica terapêutica indicada especialmente para o tratamento de traumas e sofrimentos emocionais), Luanna Soares, moradora e atuante na região, aponta que o estilo de vida em Águas Claras, marcado por compromissos apertados, trânsito intenso e uma rotina agitada, pode potencializar doenças emocionais e psicológicas: “A vida performática, onde parece mais importante ter do que ser, tem aumentado. As redes sociais pioraram as coisas, e as comparações contínuas trazem grande sofrimento psicológico”.

Campanha de prevenção ao suicídio ganha força com a sanção de lei nacional, enquanto Águas Claras enfrenta os desafios da vida urbana e especialistas reforçam a importância do diálogo, da escuta e de novas abordagens terapêuticas

O Setembro Amarelo chega como um aviso de que não há necessidade de fingir que tudo está bem o tempo todo”. A profissional observa também que, muitas vezes, o sofrimento surge de dores emocionais não ressignificadas. Por isso, ela enfatiza a importância da escuta sem julgamentos e do acolhimento genuíno.
Sobre como agir diante de alguém em crise, ela diz: “O mais importante é não deixar a pessoa sozinha e ouvir com empatia.
Comentários de menosprezo só aumentam o sofrimento”. Já sobre o que não fazer, ressalta que minimizar a dor ou usar frases como “isso é frescura” ou “vai passar” pode afastar ainda mais quem já está fragilizado.
No campo prático, Luanna revela planos de ampliar ações coletivas: “Queremos organizar encontros, projetos e palestras em Águas Claras e em Brasília, para que mais gente se sinta confortável em falar sobre suas angústias e buscar apoio. Para mim, isso vai muito além de campanhas: é sobre criar uma rede de confiança”.
Agora é lei
Recentemente, todas essas abordagens que já anunciavam a seriedade do tema foram reforçadas, pois a campanha Setembro Amarelo deixou de ser apenas uma mobilização social e tornou-se política pública oficial. A Lei 15.199, sancionada pelo presidente da República e publicada no Diário Oficial da União, determina que o mês seja dedicado, em todo o território nacional, à prevenção da automutilação e do suicídio.
A norma também instituiu o Dia Nacional de Prevenção da Automutilação (17 de setembro) e o Dia Nacional de Prevenção do Suicídio (10 de setembro). Caberá ao poder público, em conjunto com instituições, organizações não governamentais e sociedade civil, a promoção de atividades educativas, palestras, eventos e campanhas de conscientização.
Já a Administração Regional de Águas Claras informou que, neste ano, as ações estarão concentradas internamente, junto aos servidores, com foco no cuidado, na escuta e na valorização da vida.
Sobre iniciativas anteriores, o órgão destacou que apoiou campanhas institucionais promovidas pelo Governo do Distrito Federal e pela Secretaria de Saúde, além de manter diálogo permanente com outros órgãos do GDF. “Entendemos que os desafios de uma cidade verticalizada, dinâmica e com grande concentração populacional podem influenciar a qualidade de vida da comunidade. Por isso, buscamos articular políticas públicas de mobilidade, segurança, áreas verdes e espaços de convivência, que impactam diretamente no bem-estar e na saúde mental da população”, afirmou em nota.
A Administração Regional de Águas Claras reforça uma mensagem de acolhimento. Em nota, a assessoria declarou: “A vida deve sempre ser valorizada, e ninguém precisa enfrentar suas dores sozinho. Em situações de crise, é fundamental procurar apoio em serviços especializados, como o CVV – pelo telefone 188 – e a Rede de Atenção Psicossocial da Secretaria de Saúde. Nossa mensagem é de acolhimento, esperança e valorização da vida”.
Outro olhar muito importante para a questão é o da terapeuta Ana Paula Cunha Barros, Terapeuta em TRG – Terapia de Reprocessamento Generativo, facilitadora de felicidade pelo Instituto Feliciencia, analista comportamental e especialista em leitura corporal e emocional. Ana Paula Cunha Barros, que já fez e faz diversos atendimentos a moradores de Águas Claras e regiões próximas, dedica sua jornada ao desenvolvimento humano com base cristã. Com mais de 30 anos de experiência em liderança no mercado de luxo e gestão de equipes, hoje atua no apoio a mulheres que buscam libertação de culpas e amarras emocionais. Ela lembra que o tabu ainda é uma barreira: