A inadimplência condominial no Distrito Federal atingiu, em setembro, a maior média registrada em 2025: 4,85%. O dado representa um aumento significativo em relação ao mês anterior, quando o percentual foi de 3,06%, e também em comparação com setembro de 2024, que havia registrado 3,04%. Apesar da alta expressiva, o índice do DF permanece abaixo da média nacional, que alcançou 6,80% no mesmo período. Os dados são do Índice de Inadimplência Condominial da Superlógica, plataforma especializada em soluções tecnológicas para gestão condominial e imobiliária.
Cenário econômico pressiona
Segundo o levantamento, o pico de inadimplência no Distrito Federal nos últimos 12 meses foi justamente em setembro, enquanto o menor índice ocorreu em julho deste ano, com 2,97%. Em âmbito nacional, o maior patamar foi registrado em junho, com 7,19%, e o menor em dezembro de 2024, quando a inadimplência condominial chegou a 5,76%.
Especialistas atribuem a alta ao contexto econômico do país, especialmente às taxas de juros elevadas e à inflação persistente. De acordo com João Baroni, diretor de Crédito do Grupo Superlógica, o cenário atual tem afetado diretamente o poder de compra da população. “Com o orçamento mais apertado, muitas famílias priorizam outras dívidas, como cartão de crédito, aluguel ou empréstimos, deixando a taxa condominial em segundo plano”, explica.
O levantamento também mostrou diferenças regionais significativas. Em setembro, a região Norte apresentou o maior índice de inadimplência condominial do país, com 9,63%, seguida pelo Nordeste (7,02%) e Sudeste (6,69%). O Centro-Oeste, que inclui o DF, registrou taxa de 6,55%, enquanto o Sul teve o menor índice, com 5,72%. O Norte também foi a região com maior aumento mensal, crescendo 1,9 ponto percentual de agosto para setembro.
A análise por faixa de valor da taxa condominial revela que os condomínios com cobranças mais baixas são os mais afetados pela inadimplência. Em setembro, os condomínios com taxa de até R$ 500 registraram inadimplência de 11,46%. Para os condomínios com taxas entre R$ 500 e R$ 1.000, o percentual foi de 7,16%, enquanto aqueles com cobranças acima de R$ 1.000 apresentaram o menor índice: 5,14%. A diferença entre os extremos é de mais de seis pontos percentuais.
Outro dado relevante é o valor médio da taxa condominial no país, que ficou em R$ 841,23 entre julho e setembro. A região Norte lidera com o maior valor médio (R$ 900,51), seguida do Nordeste (R$ 895,58), Sudeste (R$ 863,21), Centro-Oeste (R$ 738,73) e Sul (R$ 665,54). Em termos proporcionais, considerando o salário mínimo atual de R$ 1.518, a taxa condominial média representa quase 60% da renda no Norte e Nordeste, cerca de 57% no Sudeste, 48% no Centro-Oeste e 44% no Sul.






