O furto e o roubo de cabos usados nas redes de energia, telefonia e transmissão de dados passaram a ter punições mais severas com a entrada em vigor da Lei nº 15.181, de 28 de julho de 2025. A norma amplia penas para roubo, furto e receptação desse tipo de material e surge em meio ao aumento de registros no Distrito Federal, onde o crime tem provocado interrupções e oscilações no fornecimento de serviços essenciais.
Levantamento da Neoenergia Brasília aponta que, em 2025, foram contabilizadas 1.108 ocorrências entre furtos e tentativas. A concessionária passou a registrar também as investidas que não resultam na subtração dos cabos, mas ainda assim causam danos à rede e exigem reparos. Segundo a empresa, a média superou três casos por dia e os impactos atingiram mais de 100 mil clientes ao longo do ano.

Águas Claras no topo do ranking


Os dados colocam Águas Claras em posição de destaque no mapa das ocorrências. Em 2025, a região somou 120 registros e ficou como a segunda área administrativa com mais casos no Distrito Federal, atrás apenas do Plano Piloto, que concentrou 602 ocorrências. Para moradores e comerciantes, o número indica que o problema deixou de ser pontual e passou a afetar de forma recorrente uma região marcada por grande densidade populacional, circulação intensa e forte presença de comércio e serviços.
A Neoenergia afirma que cada ação criminosa pode provocar oscilações e interrupções no fornecimento e aumentar o risco de danos a equipamentos em imóveis e estabelecimentos próximos, já que a rede comprometida tende a gerar instabilidade no sistema. A recomposição, ainda segundo a concessionária, costuma ser um trabalho técnico complexo e pode levar horas, a depender do ponto atingido e da extensão do dano.
Além do transtorno diário, os números indicam mudanças no perfil dos crimes. Em 2025, foram contabilizados 391 furtos efetivos de cabos e equipamentos, alta de 49% em relação ao ano anterior. Apesar do aumento, o prejuízo financeiro estimado pela distribuidora foi de R$ 717,8 mil, abaixo do registrado em 2024, quando os danos chegaram a R$ 793,6 mil. A empresa atribui a diferença a ações voltadas a materiais de menor valor unitário, como fios de cobre, mais fáceis de retirar e revender.
A concessionária afirma que há ocorrências associadas a diferentes perfis, incluindo pessoas em situação de rua e grupos organizados que atuariam com encomendas específicas. Para autoridades, a cadeia envolve não apenas quem retira os cabos, mas também quem compra, revende ou utiliza material de origem criminosa, o que sustenta o mercado que alimenta o delito.
Com a nova legislação, o roubo de cabos pode chegar a pena de até 15 anos de prisão, a depender das circunstâncias do caso. No furto, a reclusão passa a variar de dois a oito anos. A norma também endurece punições para receptação e para condutas que resultem em interrupção ou perturbação de serviços de utilidade pública, ampliando o alcance do enfrentamento ao crime.
A Polícia Civil do Distrito Federal informou que o endurecimento da lei busca reforçar o caráter dissuasório da norma diante do impacto coletivo das ocorrências. A corporação também destaca que mantém canal específico para recebimento de informações relacionadas ao furto e roubo de cabos, com preservação do sigilo de quem repassa os dados.
O combate ao crime, segundo informações institucionais, envolve ações integradas entre órgãos de segurança pública e iniciativas de monitoramento por parte da concessionária, que afirma intensificar rondas e acompanhamento em áreas de maior incidência quando há aumento de registros. Para Águas Claras, onde os números colocam a região como a segunda mais atingida, o desafio é reduzir a recorrência e evitar que interrupções sigam se repetindo em pontos de grande movimento e uso diário.