O deputado distrital Pastor Daniel de Castro (PP) apresentou um projeto de lei para alterar o nome da Avenida Castanheiras, em Águas Claras, para Avenida Rodrigo Castanheira. A proposta pretende homenagear o estudante Rodrigo Helbingen Fleury Castanheira, de 16 anos, que morreu após ser agredido em uma ocorrência registrada em Vicente Pires.
O texto foi protocolado na Câmara Legislativa do Distrito Federal em 9 de fevereiro e ainda precisa passar pela tramitação interna da Casa, com análise nas comissões e votação em plenário antes de qualquer mudança oficial no nome da via. A avenida é uma das principais referências urbanas de Águas Claras, concentrando comércios e fluxo diário de moradores, o que, segundo o autor, daria maior visibilidade à homenagem.

Avenida Rodrigo Castanheira, em homenagem ao estudante de 16 anos que morreu após agressão em
Vicente Pires.
Na justificativa, o parlamentar argumenta que a alteração teria “elevado significado simbólico” ao ligar um espaço público de grande circulação à memória do adolescente. A proposta também se apoia na ideia de que o episódio não deve ser esquecido pela comunidade, em meio à comoção gerada pela morte do estudante.
Entenda o caso
Rodrigo morreu em 7 de fevereiro, após permanecer internado em estado grave na Unidade de Terapia Intensiva do Hospital Brasília, em Águas Claras. A agressão ocorreu na noite de 22 de janeiro, em frente a um condomínio residencial em Vicente Pires, na saída de uma festa, e o caso passou a ser investigado pela Polícia Civil do Distrito Federal.
De acordo com informações reunidas na investigação e divulgadas ao longo dos dias, a briga foi registrada por pessoas que estavam no local. Nas imagens, o adolescente é atingido durante o confronto e, em seguida, aparece desorientado. A família sustenta que o episódio não teria sido um desentendimento casual e pede apuração completa das circunstâncias que antecederam a agressão.
O jovem foi levado para atendimento médico após retornar para casa e apresentar piora no quadro. Em 23 de janeiro, Rodrigo foi internado na UTI e precisou ser intubado, permanecendo sob cuidados intensivos até a confirmação da morte em 7 de fevereiro.
Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, apontado como autor das agressões, foi preso preventivamente e permanece detido no Centro de Detenção Provisória do Complexo Penitenciário da Papuda. A prisão preventiva foi cumprida em 30 de janeiro, após pedido da Polícia Civil e decisão judicial, em um caso que ganhou repercussão no Distrito Federal.
A investigação também motivou desdobramentos fora do âmbito policial. A Fórmula Delta anunciou a expulsão de Turra da modalidade em 26 de janeiro. Com a divulgação do caso, vieram à tona outras denúncias envolvendo o jovem, citadas em reportagens publicadas ao longo das semanas seguintes.
A morte de Rodrigo intensificou as manifestações de solidariedade e a cobrança por respostas. O enterro ocorreu em 8 de fevereiro, sob comoção, com presença de parentes que vieram de outros estados, além de amigos e familiares do Distrito Federal.
Nos dias seguintes, familiares do adolescente passaram a defender publicamente que o episódio seja esclarecido em todos os seus aspectos, incluindo a apuração de eventual participação de terceiros. Um tio do estudante, Flávio Henrique Fleury, afirmou esperar que a investigação avance para identificar possíveis responsáveis além do autor material, hipótese que também é cobrada pela família.
A proposta de renomeação da avenida, por sua vez, soma-se às repercussões do caso em Águas Claras e em outras regiões do DF. Caso avance na Câmara Legislativa, a mudança dependerá das etapas regimentais e, posteriormente, de eventuais providências administrativas para atualização de sinalização e registros oficiais. Enquanto isso, o inquérito policial segue em andamento, com coleta de depoimentos e análise de imagens e outros elementos reunidos durante as apurações.






