Por Aline Diniz
A arte gestacional tem se consolidado como uma experiência cada vez mais procurada por futuras mães de Águas Claras. Conduzido pelas artistas locais Priscylla Lins, responsável pelas pinturas, e Ana Lins, que realiza os registros fotográficos, o trabalho vem se destacando por transformar a gestação em um momento de pausa, conexão e construção de memórias.
Mais do que uma pintura, o processo envolve escuta, personalização e acolhimento. “Representa conexão, amor, sentimento. A arte é só um meio para realmente fazer diferença na vida das mamães”, explica Priscylla Lins.
Segundo ela, cada criação parte da história individual de cada gestante. “Cada cliente é única, todas com suas próprias histórias. Realizamos a montagem a partir de moldes dos bebês e criamos o restante.”

O atendimento começa antes mesmo do desenho. De acordo com Ana Lins, há um processo de entendimento das expectativas da cliente. “Conhecemos a cliente, entendemos o que ela procura e assim damos a melhor opção”, afirma.
Algumas optam apenas pela pintura, enquanto outras escolhem experiências mais completas, como o chamado chá de bênçãos, que pode durar cerca de quatro horas e inclui dinâmicas com familiares.

Durante a execução da arte, o ambiente é pensado para proporcionar conforto e segurança. “Perguntamos previamente se a gestante já teve algum tipo de alergia, nossos produtos são hipoalergênicos, descartáveis e higienizados. Tudo para segurança das nossas clientes”, destaca Priscylla. A pintura, em si, leva em média duas horas, podendo durar mais tempo na pele, desde que haja cuidado para evitar atrito.

Emoção
A experiência, segundo as artistas, vai além do aspecto visual e se torna um momento de transformação emocional. “É um momento de pausa e relaxamento. Sinto que elas estão sendo cuidadas”, relata Priscylla. A percepção é reforçada em ocasiões específicas. “Principalmente durante os chás de bênçãos, nós nos emocionamos junto com elas.”
Entre os temas mais solicitados estão elementos ligados à fé, como representações de Jesus, versículos bíblicos e símbolos religiosos. Ainda assim, há espaço para criações variadas. “Desenhos inusitados, muito bem elaborados, como dragão e Harry Potter”, lembra a artista, destacando a diversidade de pedidos.
Para a fotógrafa Ana Lins, o trabalho também tem um propósito pessoal. “Foi a conexão real com o maternar, a vontade de fazer com que outras mães gestantes pudessem sentir o mesmo que eu senti na gestação”, afirma. Segundo ela, o crescimento da procura em Águas Claras tem relação direta com a experiência vivida pelas clientes. “Quem vive uma experiência conosco sempre conhece outra mamãe gestante.”


A cliente e moradora de Águas Claras Giuliana Cortazio, relata que, inicialmente, não compreendia a proposta. “Achando que seria apenas uma pintura”, diz. A percepção mudou após entender o cuidado envolvido. “Eu entendi que não poderia deixar de viver aquilo, que valeria a pena, porque seria uma experiência realmente especial.”
Já Priscila Vieira, que também mora na cidade, destaca o impacto do resultado final. “Quando vi a arte pronta, fiquei muito emocionada. É como se desse pra tirar um pouco da ideia da cabeça e enxergar o bebê ali, de verdade”, afirma. No caso dela, o desenho foi construído com base na própria história familiar. “A arte virou esse céu, com cada uma simbolizada ali”, explica.
O registro fotográfico aparece como parte essencial do processo, eternizando o momento vivido. “Foi um momento muito especial de guardar pra sempre”, resume Priscila.
Apesar do crescimento, as artistas ainda enfrentam desafios na percepção do público. “Muitas pessoas ainda não veem realmente como uma experiência de conexão materna”, aponta Ana Lins. Ainda assim, a expectativa é de continuidade. “A arte gestacional deve ficar, pelo fato de que realmente é mais do que uma pintura, é algo sentimental”, afirma.
Na avaliação das próprias clientes, é justamente esse caráter que impulsiona a popularização. “Vai além da estética. É uma forma de criar memória, envolver a família”, conclui Priscila Vieira.






