O ex-médico Lauro Estevão Vaz Curvo foi condenado a 46 anos de prisão pela morte da mãe, Zely Alves Curvos, de 94 anos, em um apartamento de Águas Claras. O crime ocorreu em maio de 2024 e, segundo a decisão do Tribunal do Júri, houve feminicídio qualificado e fraude processual. Como já estava preso preventivamente, ele não poderá recorrer em liberdade.
Na sentença, o magistrado apontou que a conduta social do réu era negativa no âmbito familiar, com desgaste nas relações com o irmão e com a ex-esposa, esta última também citada como vítima de violência doméstica. A decisão também menciona falta de dedicação aos cuidados com a mãe.
De acordo com o juiz, o crime teria sido motivado após a negativa do pedido para que o ex-médico assumisse a curatela da idosa. Segundo esse entendimento, a recusa impediu que ele tivesse acesso aos rendimentos da vítima.
As investigações da Polícia Civil concluíram que o incêndio no apartamento foi criminoso. Segundo o inquérito, o fogo começou na cama em que a idosa estava e foi provocado por ação humana. À época, vizinhos relataram que Zely havia se mudado havia pouco tempo para o prédio. Com problemas de saúde, ela estava acamada havia anos.
O caso também trouxe à tona antecedentes envolvendo o réu. Em maio de 2023, Lauro Estevão Vaz Curvo chegou a ser preso após deixar a mãe no Hospital Militar de Brasília mesmo depois da alta médica. Na ocasião, ele respondeu por abandono de idoso em hospital e por indução de pessoa idosa sem discernimento a outorgar procuração, mas foi solto após audiência de custódia.
O ex-médico também teve o registro profissional cassado pelo Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal em 2021. Antes disso, havia sido condenado, em 2013, por abuso sexual contra duas pacientes durante consultas realizadas no Centro de Saúde 1, em São Sebastião. Segundo o processo, os crimes ocorreram em 2009 e 2010.