por Aline Diniz

Por mais de 20 anos, uma banca de jornais marcou a rotina de moradores de Águas Claras. Mais do que um ponto de venda de revistas e periódicos, o espaço funcionava como referência de convivência e serviços básicos em uma cidade que, apesar do crescimento urbano acelerado, nunca contou com outra banca semelhante em área pública.
“Ela funcionou por mais de 18 anos só na minha mão, mas ao todo foram cerca de 25 anos em Águas Claras”, relata o jornaleiro Eber Quintino, responsável pela banca Araucárias. Segundo ele, o espaço atendia uma demanda ainda presente, mesmo diante da digitalização. “Águas Claras tem muita procura por revista, muita gente que veio de outras regiões como Asa Norte e Asa Sul, onde sempre teve banca, e continuava frequentando aqui.”

A banca
A rotina ia além da venda de jornais. Impressões, acesso à internet e itens básicos faziam parte do dia a dia. Para moradores, o local também cumpria papel social. “Era ponto de encontro, de amigos e vizinhos. Além de revistas, tinha serviços que ajudavam a vizinhança de uma forma geral”, afirma o corretor de imóveis David de Araújo Gonçalves, cliente antigo.
A desativação ocorreu após notificação da Administração Regional de Águas Claras, em função da construção da primeira Unidade de Pronto Atendimento (UPA) da região. “Fui notificado verbalmente e depois por escrito. Disseram que iam começar a obra e que eu teria que sair. Deram cerca de seis meses, e tivemos que fechar”, conta Eber.
Segundo ele, houve indicação inicial de um novo local para realocação. “Me mostraram um espaço, mandaram mapa, mas depois que saí não saiu autorização para construir e ficou parado até hoje”, afirma.
Em nota, a Administração informou que a banca “ocupava área de equipamento público, com destinação à construção da UPA” e que a obra está em andamento. Ainda de acordo com o órgão, “a banca de revistas foi realocada para a Praça da Estação Águas Claras”.
A ausência do espaço ainda é sentida por frequentadores. “Não entendi o porquê do fechamento. O espaço era pequeno, não prejudicaria a obra”, diz David. Ele também destaca impactos práticos no cotidiano. “Comprava jornal antigo para os pets, refrigerante, era o local mais próximo de casa.”
Mas é durante a Copa do Mundo que a banca ganhava protagonismo. A tradicional troca de figurinhas mobilizava famílias e alterava a dinâmica do local. “O auge é na Copa. A banca alugava tenda, mesa e cadeiras para os clientes fazerem as trocas”, relembra o morador.
Mesmo sem espaço fixo, a iniciativa será retomada. No próximo dia 30 de abril, o Shopping Metrópoles recebe o evento de troca de figurinhas da Copa do Mundo, com lançamento de álbuns e figurinhas na mesma data. A ação será conduzida por Eber, em parceria com o centro comercial.
“Vamos montar uma estrutura lá dentro. A banca Araucárias vai funcionar provisoria e improvisadamente no shopping durante o período da Copa”, explica. Segundo ele, o espaço estará aberto diariamente, acompanhando o horário de funcionamento do shopping.
Para frequentadores, a expectativa é de retomada parcial da tradição. “Sempre ia com minhas filhas várias vezes na semana. Agora vamos ver como vai ser fora da banca”, comenta David.
A Administração Regional também informou que todas as autorizações para a abertura de uma nova banca, desta vez na Praça da Estação Águas Claras, já foram concedidas. Segundo o órgão, o projeto segue dependendo de interesse particular para ser executado. Já Eber afirma não saber dessa informação e não ter sido notificado de nada, mas que a partir de agora irá entrar em contato e correr atrás, pois tem total interesse em reabrir a tradicional banca que segundo a própria administração de Águas Claras se realmente concluída seguirá sendo a única com todas devidas autorizações na cidade.